Petrobras destitui diretor após leilão de GLP com ágio acima de 100%

Claudio Romeo Schlosser foi retirado da diretoria responsável pela venda de gás de cozinha após críticas do presidente Lula e fiscalização da ANP; Angélica Laureano assume a área.

07/04/2026 às 17:38 por Redação Plox

A Petrobras informou que destituiu do cargo o diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Romeo Schlosser. O anúncio foi feito na noite de segunda-feira (6), após reunião do Conselho de Administração da estatal, no Rio de Janeiro.

Petrobras demite diretor executivo de logistica.

Petrobras demite diretor executivo de logistica.

Foto: Reprodução

Schlosser comandava a área responsável pelo leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP) — o gás de cozinha — realizado na última terça-feira (31). No certame, houve ágio de mais de 100%, e o combustível chegou a ser vendido para distribuidoras por mais que o dobro do preço de tabela.

Críticas de Lula e fiscalização após o leilão

Dois dias depois do leilão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a realização do certame e afirmou que a iniciativa teria ocorrido contra a orientação da empresa, mencionando o interesse de anular a venda.

cretinice, bandidagemLuiz Inácio Lula da Silva

Na mesma ocasião, em entrevista à TV Record Bahia, Lula disse: “As pessoas sabiam da orientação do governo, da orientação da Petrobras de não aumentar o GLP. Pois fizeram um leilão contra a vontade da direção da Petrobras”.

No mesmo dia das declarações, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizou fiscalização em refinarias da Petrobras para apurar “suspeitas de prática de preços com ágios elevados” no leilão de gás de cozinha.

Alta internacional do petróleo e medidas do governo

Apesar de ser conhecido como gás de cozinha, o GLP também é utilizado como combustível por indústrias. O leilão ocorreu em um cenário de escalada internacional do preço do petróleo e de derivados em razão da guerra no Irã, que provocou distúrbios na cadeia produtiva da matéria-prima e ameaçou o produto de escassez.

Ao mesmo tempo, o governo estudava meios para suavizar os efeitos da alta do petróleo e de seus derivados. A destituição do diretor ocorreu no mesmo dia em que o governo anunciou medidas que incluem zeragem de impostos e subsídios para o diesel e o gás de cozinha.

Mudanças na diretoria responsável por vendas

A diretoria ocupada até segunda-feira por Schlosser é uma das oito que ficam sob o guarda-chuva da presidente da estatal, Magda Chambriard. Entre as atribuições do setor está decidir para quem e por quanto a Petrobras vende seus produtos.

A Petrobras informou que a então diretora executiva de Transição Energética e Sustentabilidade, Angélica Laureano, assumirá a diretoria de Logística, Comercialização e Mercados. Já o diretor executivo de Processos Industriais e Produtos, William França, acumulará temporariamente as funções que eram de Laureano.

Claudio Schlosser é engenheiro químico e advogado. Ele entrou na Petrobras em 1987, no cargo de engenheiro de processamento de petróleo, e estava na diretoria desde março de 2023, quando a companhia era presidida pelo antecessor de Chambriard, Jean Paul Prates.

Conselho de Administração e troca na presidência do colegiado

A Petrobras comunicou ainda que o Conselho de Administração elegeu Marcelo Weick Pogliese como presidente do colegiado até a próxima assembleia-geral, prevista para ocorrer dentro de dez dias.

Pogliese substitui Bruno Moretti, que renunciou na última terça-feira (31) para assumir o Ministério do Planejamento e Orçamento no lugar de Simone Tebet, que deve disputar o Senado pelo estado de São Paulo.

O Conselho de Administração é o órgão de orientação e direção superior da Petrobras, responsável pela definição das estratégias. É composto por sete a 11 membros eleitos pelos acionistas, e Magda Chambriard integra o colegiado.

Indicação do governo para o comando do conselho

Como acionista controlador, o governo indica o presidente do conselho. A Petrobras informou que recebeu, na segunda-feira, a indicação do atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Santos Mello, para o posto.

Em comunicado ao mercado, a estatal informou que a indicação “será submetida à análise dos requisitos legais de gestão e integridade pertinentes”.

Mello tem doutorado em ciência econômica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mestrado em economia política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e graduações em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP) e Ciências Econômicas (PUC-SP). Ele é professor licenciado do Instituto de Economia da Unicamp (IE-Unicamp), onde atua como coordenador do programa de pós-graduação em desenvolvimento econômico.

O indicado também participa de dois conselhos de administração de empresas públicas: é presidente do conselho de administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e integrante do Conselho de Administração da Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural S.A. — Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA).

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