Subvariante ‘Cicada’ da Covid-19 é detectada em 23 países e chama atenção por mutações na Spike

BA.3.2 tem cerca de 70 a 75 alterações na proteína usada pelo vírus para invadir células e pode favorecer reinfecções, mas dados do CDC não indicam aumento consistente de gravidade; sintomas seguem padrão da Ômicron

07/04/2026 às 07:28 por Redação Plox

Uma nova subvariante da Covid-19 já começou a circular fora do Brasil e vem sendo acompanhada por autoridades sanitárias. Trata-se da BA.3.2, apelidada de “Cicada”, que entrou no radar do monitoramento internacional e já foi reportada em ao menos 23 países, segundo boletim do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).

O principal motivo de atenção é o volume de mutações: a BA.3.2 reúne cerca de 70 a 75 alterações na proteína Spike —estrutura que o vírus usa para entrar nas células humanas— em comparação com antígenos utilizados em vacinas recentes, o que pode favorecer reinfecções.


Linhagem da Ômicron apresenta alterações na proteína Spike, mas não há indícios de maior gravidade até agora; vacinas seguem protegendo contra formas graves.

Linhagem da Ômicron apresenta alterações na proteína Spike, mas não há indícios de maior gravidade até agora; vacinas seguem protegendo contra formas graves.

Foto: Freepik


O que é a BA.3.2, chamada de “Cicada”

A BA.3.2 é uma sublinhagem do coronavírus dentro da família Ômicron. De acordo com o CDC, ela foi identificada inicialmente em novembro de 2024 e passou a ser acompanhada em vigilância genômica até fevereiro de 2026, período analisado no relatório.

O documento do CDC aponta um conjunto elevado de substituições e deleções na Spike, razão pela qual a subvariante segue sob observação. Em reportagem da CBS News, o CDC e a Organização Mundial da Saúde (OMS) são citados como instituições que monitoram a BA.3.2, destacando que ela é altamente mutada e vem sendo acompanhada por autoridades sanitárias.

O que tem de diferente: mutações na proteína Spike

O relatório destaca que a BA.3.2 apresenta aproximadamente 70–75 mudanças na Spike em relação a linhagens usadas como referência para antígenos de vacinas 2025–26. Na prática, isso pode reduzir a capacidade de anticorpos neutralizantes reconhecerem o vírus e, assim, aumentar a chance de infecção.

Ainda assim, os dados reunidos até agora não apontam, de forma consistente, aumento de gravidade associado à BA.3.2, apesar do número elevado de mutações.

Sintomas: o que muda

Até o momento, não há indicação de um quadro clínico “novo” atribuído especificamente à BA.3.2. A apresentação tende a seguir o padrão observado em sublinhagens recentes da Ômicron, com sintomas comuns em infecções por Covid-19.

Entre os sinais descritos em coberturas internacionais sobre a “Cicada” estão: febre, dor de garganta, tosse, coriza e cansaço.

Vacinas e proteção contra casos graves

Embora o número de mutações na Spike possa dificultar o reconhecimento do vírus por anticorpos neutralizantes, o CDC ressalta que a proteção contra formas graves depende também de outros braços da resposta imune. Por isso, autoridades continuam acompanhando dados de efetividade das vacinas e o impacto clínico associado à BA.3.2.

Subvariante já chegou ao Brasil?

No Brasil, o Ministério da Saúde registrou em documento técnico que a BA.3.2 foi adicionada pela OMS à lista de variantes sob monitoramento em 5 de dezembro de 2025. O trecho disponível do informe não traz confirmação de circulação sustentada da subvariante no país, e o tema segue no escopo de vigilância e acompanhamento internacional.

O que segue no radar das autoridades

Enquanto novas evidências são consolidadas, especialistas e autoridades reforçam a importância de manter a vacinação em dia, sobretudo entre grupos mais vulneráveis —como idosos, gestantes e pessoas com comorbidades— e de buscar atendimento em caso de piora de sintomas.

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