STF: 2ª Turma decide hoje sobre possível liberação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro
Em sessão virtual iniciada em 13/03/2026, colegiado avalia se referenda ou revisa decisão individual do ministro André Mendonça no caso ligado ao Banco Master
Um professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), na Zona da Mata, foi preso sob suspeita de criar uma empresa de fachada e receber mais de R$ 4,5 milhões. Os serviços, na verdade, eram prestados pelo Laboratório de Celulose e Papel da instituição federal.
Após o Ministério Público Federal (MPF) denunciar o docente por 34 ocorrências pelo crime de peculato, ele foi preso preventivamente pela Justiça Federal.
(Foto: divulgação)
O acusado comandou o Laboratório de Celulose e Papel (LCP), ligado ao Departamento de Engenharia Florestal da UFV. Segundo a denúncia, dentro dessa função pública, o montante teria sido desviado de 2009 a 2014, no período de seis anos. O MPF acredita ainda que o rombo pode ser maior, visto que seu patrimônio pessoal cresceu 300% entre os anos de 2007 e 2017, salientando que a evolução patrimonial dos seus filhos, supostamente usados como "laranjas", também cresceu e somariam mais de R$10 milhões.
Contudo, de acordo com o MPF, o crime acabou sendo evidenciado após os inúmeros contratos firmados pelo professor com empresas privadas que utilizaram não só a estrutura e os equipamentos da instituição, mas também estudantes e servidores da UFV. "Ao colocar funcionários da universidade para trabalharem em regime de jornada extraordinária para o seu enriquecimento pessoal, gerando um prejuízo ainda maior à universidade, resultante do pagamento de adicionais de horas extras", o MPF ressaltou a ousadia do acusado como "impressionante".
A maior parte das empresas ouvidas durante a investigação relataram que procuraram o LCP por acreditarem que contratavam essa instituição, mas, quando o serviço era prestado, o professor alegava que o pagamento deveria ser feito à empresa de sua propriedade. Ainda durante a investigação, foram encontrados pagamentos oriundos de 32 empresas e duas pessoas físicas por serviços do laboratório, além de R$ 784 mil em pagamentos não identificados.
O Juízo Federal de Viçosa decretou a prisão preventiva do professor e o bloqueio seus de bens no valor de R$ 11.312.470,00, em busca de garantir o pagamento da pena de multa e ressarcir os valores desviados da universidade. Acusado de 34 peculatos, a pena mínima pode ser de 64 anos. Caso condenado, o MPF pediu que seja decretado a parda do cargo público de professor.