Exportações de soja e petróleo impulsionam superávit recorde de US$ 10,5 bilhões em abril

Segundo o Mdic, exportações e importações também bateram recordes para o mês; no acumulado de janeiro a abril, saldo avançou 43,5% na comparação anual.

07/05/2026 às 20:07 por Redação Plox

Impulsionada pelo avanço das exportações de soja e de petróleo, a balança comercial brasileira registrou em abril o maior superávit já observado para meses de abril desde o início da série histórica. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (7) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic)


Aumento nas exportações de soja e de petróleo fez a balança comercial registrar o superávit mais alto para meses de abril desde o início da série histórica, divulgou nesta quinta-feira (7).

Foto: Divulgação/Porto de Santos


No mês passado, as exportações superaram as importações em US$ 10,537 bilhões, resultado 37,5% acima do registrado em abril de 2025, quando o saldo havia sido de US$ 7,664 bilhões.

Na série iniciada em 1989, o desempenho de abril de 2026 é o terceiro maior superávit para todos os meses, atrás apenas de maio de 2023 (US$ 10,978 bilhões) e março de 2023 (US$ 10,751 bilhões).

Exportações e importações atingem recordes para abril

Além do saldo recorde para o mês, os valores de exportações e importações também foram os maiores já registrados em abril desde o início da série histórica. Em abril, o Brasil exportou US$ 34,148 bilhões, alta de 14,3% na comparação com abril do ano passado. Já as importações somaram US$ 23,611 bilhões, avanço de 6,2% no mesmo confronto. 


Exportações e importações também foram os maiores já registrados em abril desde o início da série histórica.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil


Saldo no quadrimestre cresce 43,5%

De janeiro a abril, o superávit acumulado chegou a US$ 24,782 bilhões, valor 43,5% superior ao do mesmo período do ano passado. Segundo o Mdic, além da recuperação das commodities, o resultado também reflete o efeito da importação de uma plataforma de petróleo em fevereiro de 2025, operação que não se repetiu em 2026.

No acumulado do ano, as exportações alcançaram US$ 116,552 bilhões (alta de 9,2%), enquanto as importações somaram US$ 91,770 bilhões (alta de 2,5%). O superávit do primeiro quadrimestre é o segundo maior da série histórica, atrás apenas do registrado no mesmo período de 2024 (US$ 26,925 bilhões).

Agropecuária, extrativa e transformação avançam nas exportações

Na divisão por setores, as exportações de abril cresceram em todas as frentes. Na agropecuária, houve alta de 16,1%, com aumento de 12,7% no volume e de 3,2% no preço médio. Na indústria extrativa, o avanço foi de 17,9%, puxado pelo petróleo, com alta de 0,6% no volume e crescimento de 17,2% no preço médio. Já a indústria de transformação subiu 11,6%, com aumento de 6,8% no volume e de 4,1% no preço médio. 

Soja e petróleo lideram alta mensal das vendas externas

Entre os itens que mais contribuíram para o crescimento das exportações em abril, a agropecuária teve destaque com soja (+18,8%), algodão (+43,7%) e animais vivos, exceto pescados e crustáceos (+148,4%). Na indústria extrativa, avançaram óleos brutos de petróleo (+10,6%), minério de ferro (+19,5%) e minérios de cobre (+55%). Na indústria de transformação, cresceram carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (+29,4%), ouro não-monetário, excluindo minérios de ouro e concentrados (+75,9%), e bombas, centrífugas, compressores de ar e ventiladores (+321,5%).

Em valores absolutos, a soja foi o principal motor do avanço mensal, com aumento de US$ 1,105 bilhão nas exportações em relação a abril do ano passado, influenciado pela safra e pela alta nos preços. Na sequência, veio o petróleo bruto, com alta de US$ 458,98 milhões


Soja e petróleo lideram alta mensal das vendas externas.

Foto: Divulgação/Petrobras


No caso do petróleo, o volume exportado caiu 10,6%, mas o preço médio subiu 23,7% em razão da guerra no Oriente Médio. A redução no volume é associada à alíquota temporária de 12% de Imposto de Exportação de petróleo, imposta em meados de março como medida para conter a alta dos combustíveis após o início do conflito.

Apesar do avanço das exportações agropecuárias, as vendas externas de café recuaram. Em abril, o Brasil vendeu US$ 177,44 milhões a menos do que em abril de 2025, queda de 14,2%, atribuída à redução de 13,4% no preço médio.

Importações sobem com peso de veículos

Do lado das importações, a alta foi influenciada principalmente por veículos. As compras do exterior aumentaram US$ 654,33 milhões em abril na comparação com o mesmo mês de 2025.

Na lista de produtos, cresceram, na agropecuária, soja (+165,3%), pescados (+11,1%) e frutas não oleaginosas (+8,9%). Na indústria extrativa, houve aumento em óleos brutos de petróleo (+26,4%) e linhita e turfa (+147,9%). Na indústria de transformação, avançaram automóveis de passageiros (+109,9%), combustíveis (+37,3%) e válvulas e tubos termiônicos (+27,3%).

Mdic projeta superávit de US$ 72,1 bilhões em 2026

Para 2026, o Mdic estima superávit comercial de US$ 72,1 bilhões, alta de 5,9% em relação ao resultado de US$ 68,1 bilhões em 2025. Segundo o ministério, as exportações devem fechar o ano em US$ 364,2 bilhões (alta de 4,6%), enquanto as importações devem chegar a US$ 280,2 bilhões (aumento de 4,2%).

O Mdic informa que as projeções oficiais são atualizadas trimestralmente e que novas estimativas mais detalhadas sobre exportações, importações e saldo de 2026 serão divulgadas em julho.

O recorde de superávit foi registrado em 2023, quando o resultado positivo chegou a US$ 98,9 bilhões. As estimativas do Mdic ficam abaixo das projeções das instituições financeiras: de acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com analistas de mercado, a balança comercial deve encerrar o ano com superávit de US$ 75 bilhões, projeção que aumentou após o início da guerra no Oriente Médio.

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