Presidente da Usiminas fala sobre necessidade de política antidumping
Plano foi apresentado pelo presidente Marcelo Chara em meio a alerta sobre pressão competitiva do aço chinês e necessidade de reforçar a competitividade da operação no Brasil.
Ruhi Cenet se disse surpreso ao ver que a rotina a bordo do cruzeiro MV Hondius seguiu normalmente mesmo depois de o capitão anunciar a morte do primeiro passageiro.
O blogueiro de viagens turco embarcou em Ushuaia em 1º de abril, com a intenção de produzir uma reportagem sobre Tristão da Cunha, um remoto arquipélago do Atlântico Sul que estava entre as paradas do navio.
No início, a travessia parecia tranquila: 59 tripulantes atendiam 88 passageiros — em sua maioria observadores de aves amadores com 60 anos ou mais, relatou Cenet, de 35 anos, em entrevista à AFP.
Ruhi Cenet estava no navio para gravar um documentário em uma das ilhas parte do passeio
Foto: Reprodução / Instagram
A virada ocorreu na manhã de 12 de abril, quando o capitão comunicou pelos alto-falantes a morte de um passageiro. Em um vídeo gravado por Cenet, o comandante informa que um holandês de 70 anos havia morrido no dia anterior.
O médico me diz que não estamos infectados
Chefe da tripulação
Segundo Cenet, naquele momento foi dito que a morte teria ocorrido por causas naturais. Para ele, a possibilidade de uma doença contagiosa não foi considerada.
Não levaram o problema suficientemente a sério afirmou.
Três passageiros do navio morreram, incluindo a esposa da primeira vítima e uma mulher alemã. A Organização Mundial da Saúde afirmou que pelo menos outros cinco passageiros contraíram, de forma confirmada ou provável, hantavírus, uma rara doença respiratória potencialmente mortal.
Cenet conta que ficou espantado porque “a vida cotidiana” continuava no cruzeiro após o anúncio do capitão. Em vídeos, ele mostra passageiros idosos reunidos ao redor do bufê e relata que as refeições continuaram em grupo, sem uso de máscaras.
Mesmo sem saber que se tratava de um vírus, ele e o cinegrafista decidiram se isolar voluntariamente como precaução, disse à AFP.
Alguns dias depois, o navio ancorou em frente a Tristão da Cunha. Cenet afirma que ainda se sente atormentado pela escala e teme o “pior cenário possível”.
Ele diz que gostaria que o desembarque não tivesse ocorrido após a primeira morte, já que, segundo ele, havia mais de cem passageiros e houve interação com moradores da ilha. Para Cenet, isso é um dos seus remorsos, por se tratar de um local extremamente remoto e com estrutura médica limitada.
Cenet desembarcou no território ultramarino britânico de Santa Helena em 24 de abril, junto com cerca de 20 outros passageiros. No dia seguinte, ele embarcou em um voo para a África do Sul no mesmo avião em que viajava a esposa da primeira vítima. Ela morreu no dia seguinte.
Ele relata que a mulher estava em uma cadeira de rodas, com a cabeça baixa, e que a doença parecia já afetá-la. Também lembra que, após a morte do marido, muitos passageiros se reuniram ao redor dela para consolá-la.
Da África do Sul, Cenet e o cinegrafista voltaram para Istambul. Ao chegar, ele diz que foi informado de que, sem sintomas, não seria necessário fazer quarentena naquele momento.
O Hondius, que esteve em quarentena próximo a Cabo Verde, seguiu na quarta-feira rumo às Ilhas Canárias, na Espanha. Um conhecido que permaneceu a bordo disse a Cenet que os passageiros passaram a ficar isolados em suas cabines, usando máscaras.
Para Cenet, navios desse tipo deveriam contar com laboratório ou equipamentos para lidar com surtos. Ele acrescenta que os passageiros pagaram cerca de 10 mil dólares (R$ 49 mil) cada um pelo cruzeiro.