PF diz que senador Ciro Nogueira recebeu repasses mensais e benefícios de banqueiro; STF autoriza novas medidas

Na Operação Compliance Zero, investigação cita pagamentos recorrentes que teriam começado em R$ 300 mil e subido para R$ 500 mil, além de custeio de viagens e hospedagens; decisão é do ministro André Mendonça.

07/05/2026 às 09:47 por Redação Plox

A Polícia Federal (PF) apontou, em investigação da Operação Compliance Zero, que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) teria recebido pagamentos mensais recorrentes do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de benefícios como cartão de crédito para despesas pessoais, hospedagens e custeio de viagens. Os elementos constam em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a investigação, os repasses teriam começado em R$ 300 mil mensais e, depois, aumentado para R$ 500 mil. De acordo com a PF, os pagamentos eram operacionalizados por meio de empresas privadas ligadas aos investigados.

  • As provas, ainda conforme a investigação, foram obtidas a partir de diálogos interceptados entre Daniel Vorcaro e o operador financeiro Felipe Vorcaro, primo do banqueiro, preso em Belo Horizonte na manhã desta quinta-feira (7/5). As mensagens tratam da chamada “parceria BRGD/CNLF”, em que a empresa BRGD S.A., ligada à família Vorcaro, transferiria recursos para a CNLF Empreendimentos, apontada como veículo patrimonial do senador.
    Ciro Nogueira

    Ciro Nogueira

    Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado


Mensagens interceptadas e a “parceria BRGD/CNLF”

Um trecho da decisão registra que a representação atribui à CNLF o papel de destinatária formal dos fluxos financeiros oriundos da BRGD S.A., em dinâmica compatível com a “parceria BRGD/CNLF”, funcionando, em tese, como instrumento de recepção, circulação e formalização aparente de recursos destinados ao senador.

Em uma das conversas, registrada em junho de 2025, Daniel Vorcaro cobra o atraso de dois meses nos pagamentos destinados a “Ciro”. Em resposta, Felipe Vorcaro pergunta:

“Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?” trecho que, segundo os investigadores, indicaria a existência de repasses periódicos ao parlamentar.

Compra de empresa, imóvel e despesas atribuídas ao senador

A investigação também aponta que Daniel Vorcaro teria adquirido uma empresa ligada a Ciro Nogueira por R$ 13 milhões, embora o valor estimado da companhia fosse de cerca de R$ 1 milhão. Além disso, segundo a decisão, o banqueiro teria disponibilizado imóvel ao senador.

Ainda conforme Mendonça, as vantagens investigadas incluiriam hospedagens no Park Hyatt New York, despesas em restaurantes e outros gastos atribuídos ao parlamentar.

STF avalia que os elementos vão além de vínculo pessoal

Na decisão, André Mendonça afirma que os elementos reunidos extrapolam uma relação pessoal entre os investigados e enumera pontos como aquisição societária, repasses mensais, disponibilização gratuita de imóvel e pagamento de despesas vinculadas a viagens internacionais de alto custo.

Suspeita de contrapartida e emenda ligada ao FGC

A PF também sustenta que os pagamentos teriam como contrapartida a atuação parlamentar em favor de interesses do Banco Master. O caso envolve a emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024, que propunha elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Segundo a investigação, o texto da emenda teria sido elaborado pela assessoria do próprio Banco Master e entregue ao senador. Após a apresentação da proposta, Daniel Vorcaro afirmou, em mensagens interceptadas, que o texto “saiu exatamente como mandei”. Interlocutores do banco ainda teriam avaliado que a medida poderia “sextuplicar” os negócios da instituição.

Medidas autorizadas na 5ª fase da operação

No âmbito da 5ª fase da Operação Compliance Zero, o STF autorizou medidas cautelares como suspensão de empresas, monitoramento de investigados, bloqueio de bens e cumprimento de mandados de busca e apreensão.

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