PF mira Ciro Nogueira em operação autorizada pelo STF; defesa nega pagamentos

Investigação cita mensagens que mencionariam repasses mensais e suspeitas de uso do mandato para beneficiar o Banco Master; senador diz que vai colaborar e pedirá acesso integral aos autos.

07/05/2026 às 13:49 por Redação Plox

A defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) negou nesta quinta-feira (7/5) qualquer irregularidade atribuída ao parlamentar na nova fase das investigações sobre o caso Banco Master e afirmou que ele vai colaborar com a Justiça.

Mais cedo, a Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação que teve o senador entre os alvos, com autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Defesa nega envolvimento de Ciro Nogueira (foto) em esquema de corrupção e diz que senador vai colaborar com investigações

Defesa nega envolvimento de Ciro Nogueira (foto) em esquema de corrupção e diz que senador vai colaborar com investigações

Foto: /PP


Defesa repudia ilações e nega “mesada”

Em nota, os advogados disseram repudiar “qualquer ilação de ilicitude” envolvendo a atuação do senador e reiteraram que ele pretende contribuir com as investigações.

O senador reitera seu comprometimento em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados Defesa do senador Ciro Nogueira

A investigação menciona mensagens atribuídas a integrantes do grupo do banqueiro Daniel Vorcaro que citariam pagamentos mensais destinados a Ciro Nogueira. Segundo a decisão de André Mendonça, os valores teriam começado em R$ 300 mil por mês e depois subido para R$ 500 mil. A defesa nega que o parlamentar tenha recebido uma “mesada” nesses valores.

Advogados questionam fundamentos da operação

Os advogados também contestaram a base da operação. Segundo a defesa, as medidas teriam sido tomadas a partir de mensagens extraídas de celulares de terceiros, sem apreensão ou análise de aparelhos ligados diretamente ao senador.

Na saída da residência de Ciro Nogueira, em Brasília, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse a jornalistas que a defesa considera “estranho” a investigação ter avançado para uma busca e apreensão sem, segundo ele, haver “qualquer celular do próprio senador” entre os materiais analisados. Ele citou precedentes da Operação Lava Jato e afirmou que o STF já estabeleceu, em julgamentos anteriores, a necessidade de “corroboração externa” para medidas investigativas mais invasivas.

De acordo com o advogado, a primeira providência será pedir acesso integral aos autos. Apesar das críticas, ele afirmou que a operação ocorreu de forma “absolutamente respeitosa e tranquila”, sem “espetacularização”.

Relação com banqueiro e atuação parlamentar

A defesa também minimizou a relação entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e apontado pela PF como núcleo central do esquema investigado. Segundo Kakay, eles teriam uma relação natural entre um grande banqueiro e um senador da República.

Os advogados sustentam ainda que é comum parlamentares apresentarem propostas de interesse de determinados setores econômicos, afirmando ser natural que um senador ou deputado apresente medidas que julgue importantes para determinado setor.

Decisão do STF cita indícios e supostos benefícios

Na decisão que autorizou a operação, André Mendonça afirmou haver indícios de que Ciro Nogueira teria usado o mandato parlamentar para beneficiar interesses do Banco Master em troca de vantagens financeiras.

O ministro cita, entre os elementos reunidos pela PF, pagamentos mensais, viagens internacionais, hospedagens, restaurantes, voos privados e a compra de participação societária com valor abaixo do mercado.

PF aponta suspeitas sobre “Emenda Master” e mira outros investigados

A investigação também menciona suspeitas em torno da chamada “Emenda Master”, apresentada por Ciro à PEC 65/2023. Segundo a PF, o texto teria sido elaborado por integrantes ligados ao banco e reproduzido “de forma integral” pelo senador. A proposta ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.

Além de Ciro Nogueira, a operação desta quinta-feira teve como alvo outros investigados, entre eles Raimundo Nogueira, irmão do senador, e Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. A PF apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro no âmbito do caso Banco Master.

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