Funasa assume monitoramento da água do Rio Doce em 173 pontos após extinção da Fundação Renova

A partir deste sábado (9), ação em 32 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo prevê coletas até 16 de maio e acompanhamento mensal, com análises de parâmetros como cloro, pH, turbidez e coliformes.

07/05/2026 às 15:47 por Redação Plox

A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) começa, a partir deste sábado (9), a monitorar a qualidade da água do Rio Doce em 173 pontos distribuídos por 32 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo. 


Fundação Nacional de Saúde (Funasa) vai monitorar, a partir deste sábado (9), a qualidade da água do Rio Doce em 173 pontos, que abrangem 32 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil


A instituição, vinculada ao Ministério da Saúde, assumirá a atividade que vinha sendo realizada pela Fundação Renova. Criada em 2016 para gerir o processo reparatório da Samarco, Vale e BHP pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015, a entidade foi extinta oficialmente em outubro de 2024, após um novo acordo entre o governo federal e as mineradoras. Ainda assim, manteve até agora a responsabilidade pelo monitoramento do Rio Doce.

O rompimento, em 2015, despejou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de resíduos tóxicos e lama no rio e deixou 19 mortos.

Campanha marca mudança e prevê ampliação de dados

A nova etapa ocorre no âmbito da campanha Funasa Presente no Rio Doce, viabilizada por um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) assinado em abril entre a Funasa e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).

A iniciativa busca garantir a continuidade do monitoramento ao longo da Bacia do Rio Doce e ampliar a produção de dados sobre a qualidade da água, contribuindo para a proteção da saúde das populações afetadas

Alexandre Motta, presidente da Funasa

Antes do início da operação, equipes da Funasa fizeram reconhecimento em toda a bacia, entre os municípios de Governador Valadares (MG) e São Mateus (ES). A etapa incluiu coletas e reconhecimento técnico para mapear pontos de análise e estruturar a atuação futura.

Operação terá equipes, unidades móveis e rotas em dois estados

Segundo o coordenador-geral de Ações Estruturantes em Saneamento e Saúde Ambiental da Funasa, Artur de Souza Moret, o trabalho será realizado por 15 profissionais e contará com três unidades móveis para Controle da Qualidade da Água para Consumo Humano (UMCQA). A atuação será organizada em duas rotas em Minas Gerais e uma no Espírito Santo.

De acordo com Moret, as unidades móveis funcionarão como bases de análise, com apoio de equipes de campo responsáveis pela coleta de amostras nos municípios. O modelo, segundo ele, busca permitir o processamento mais ágil dos dados e a cobertura simultânea de diferentes áreas da bacia.

Análises incluem parâmetros para consumo humano e verificação rápida de riscos

Nas UMCQA, o material coletado passará por uma análise sentinela, voltada a identificar rapidamente possíveis riscos à saúde pública. Já as análises complementares serão feitas em laboratórios fixos da Funasa.

Entre os parâmetros previstos estão itens essenciais para consumo humano, como cloro, cloro residual, pH, turbidez e a presença de microrganismos indicadores de contaminação, como coliformes totais e Escherichia coli.

Coletas começam no sábado e serão mantidas mensalmente

As atividades de coleta da primeira campanha começam no sábado e seguem até 16 de maio. Depois, o monitoramento será mantido mensalmente. A expectativa é que os primeiros resultados sejam consolidados nas primeiras semanas de operação.

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