OMS confirma 5 casos de hantavírus ligados a cruzeiro; três mortes foram registradas
Em coletiva nesta quinta-feira (7), a organização informou que outros três casos seguem em investigação e prepara orientações para a chegada do MV Hondius às Ilhas Canárias, entre sábado (9) e domingo (10).
07/05/2026 às 16:54por Redação Plox
07/05/2026 às 16:54
— por Redação Plox
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Cinco dos oito casos suspeitos de hantavírus ligados ao navio de cruzeiro MV Hondius foram confirmados, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS) em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (7). Ao todo, até o momento, foram relatados oito casos, incluindo três óbitos. Com a atualização, três ocorrências seguem em investigação.
Três pessoas, um casal holandês e um cidadão alemão, morreram durante o surto de hantavírus em navio.
Foto: Reprodução/SBT NEWS
OMS diz que risco global é baixo e acompanha possíveis novos casos
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a ameaça à saúde pública permanece baixa, mas alertou para a possibilidade de surgirem novos registros devido ao longo período de incubação do vírus.
A OMS está ciente de relatos de outras pessoas com sintomas que podem ter tido contato com um dos passageiros. Em cada caso, estamos em contato direto com as autoridades competentes
Tedros Adhanom Ghebreyesus
Segundo Tedros, antes de embarcarem, os dois primeiros casos viajaram pela Argentina, Chile e Uruguai para observação de pássaros. Ele disse que a rota incluiu visitas a locais onde havia a espécie de rato conhecida por portar o vírus dos Andes e que a OMS trabalha com as autoridades de saúde argentinas para entender os deslocamentos do casal.
Na mesma coletiva, Maria Van Kerkhove, diretora de gestão de epidemias e pandemias da OMS, ressaltou que se trata de um vírus diferente do coronavírus.
Chegada às Ilhas Canárias e monitoramento de passageiros
A OMS informou que prepara orientações para a chegada das dezenas de passageiros que permanecem no navio, que segue rumo às Ilhas Canárias. A previsão é que o desembarque ocorra entre sábado (9) e domingo (10). Segundo a organização, nenhum desses passageiros apresenta sintomas no momento.
O MV Hondius, com 150 pessoas a bordo, deve atracar em Tenerife depois que a Espanha concordou em recebê-lo, atendendo a pedidos da OMS, apesar de protestos do governo local. Tedros afirmou que há um dever moral de cuidar das pessoas que estão no navio e disse esperar compreensão e cooperação nas Ilhas Canárias.
O que é o hantavírus
O hantavírus é transmitido principalmente por roedores silvestres e pode causar uma doença chamada hantavirose. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a forma mais comum é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), que pode afetar pulmões e coração.
A infecção pode variar de quadros leves, semelhantes a uma gripe, até formas graves, com comprometimento respiratório. A principal forma de contágio ocorre pela inalação de partículas contaminadas com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. De acordo com a OMS, infecções por hantavírus são incomuns e não se espalham facilmente entre humanos.
Linha do tempo do surto no cruzeiro MV Hondius
Início de abril: o cruzeiro de expedição MV Hondius partiu de Ushuaia, na Argentina, com cerca de 150 passageiros a bordo.
Provável origem do vírus: os dois primeiros passageiros infectados haviam viajado por Argentina, Chile e Uruguai, em áreas com roedores portadores do vírus dos Andes. A OMS acredita que o vírus tenha sido introduzido no navio por um passageiro já exposto antes da viagem.
Primeiras mortes e suspeitas a bordo: um passageiro morreu durante a viagem, inicialmente sem causa definida. Dias depois, outro passageiro apresentou quadro grave, foi evacuado com suspeita de hantavírus e teve o primeiro diagnóstico confirmado ligado ao navio.
Alerta sanitário internacional: novos casos surgiram entre passageiros e autoridades de saúde passaram a rastrear contatos em diferentes países. O total chegou a oito casos suspeitos, incluindo três mortes.
Início de maio: o navio ficou ancorado próximo ao porto da Praia, em Cabo Verde. Os passageiros não puderam desembarcar enquanto equipes médicas investigavam o surto.
Evacuações médicas:três pessoas foram retiradas do navio para tratamento em terra.
6 de maio: após negociações com autoridades sanitárias e a OMS, foi autorizado que o cruzeiro seguisse para a Espanha. O governo regional das Ilhas Canárias se posicionou contra a chegada, citando temor sanitário e falta de informações.
7 de maio: a OMS confirmou cinco casos de hantavírus ligados ao cruzeiro. Outros permaneceram sob investigação, e a organização reiterou que o risco para a população geral é considerado baixo.
Chegada prevista às Ilhas Canárias: passageiros devem ser avaliados e poderão ser hospitalizados ou colocados em quarentena conforme sintomas. Autoridades prepararam protocolos especiais devido ao longo período de incubação do vírus.