Operação mira fraude fiscal de R$ 770 milhões; Justiça determina prisões e bloqueio de bens

Ação conjunta de PF, Receita e MPF cumpriu 79 mandados em 17 cidades de cinco estados e apura uso de créditos fiscais fraudulentos para compensar tributos federais.

07/05/2026 às 13:57 por Redação Plox

Uma operação conjunta da Polícia Federal (PF), da Receita Federal (RFB) e do Ministério Público Federal (MPF), deflagrada nesta quinta-feira (7/5), cumpriu 79 mandados em 17 cidades de cinco estados e mira um esquema de fraude fiscal com prejuízo estimado em R$ 770 milhões aos cofres públicos. Endereços em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Maranhão foram alvo da ação.

As medidas integram a segunda fase da Operação Títulos Podres e da Operação Consulesa. Segundo os órgãos, duas organizações criminosas usavam créditos fiscais fraudulentos, conhecidos como “títulos podres”, para compensar tributos federais de forma indevida.

Criminosos usavam empresas de fachada e escritórios de advocacia para reduzir ou quitar dívidas fiscais

Criminosos usavam empresas de fachada e escritórios de advocacia para reduzir ou quitar dívidas fiscais

Foto: crédito: Polícia Federal/Reprodução


Como funcionava o esquema investigado

De acordo com a PF, os grupos atuavam por meio de escritórios de advocacia, consultorias tributárias e empresas de fachada, oferecendo supostas soluções para reduzir ou quitar dívidas fiscais. As investigações indicam que o esquema envolvia empresas e até prefeituras, com atuação considerada crescente e mais sofisticada ao longo do tempo.

Conforme divulgado, a organização tinha divisão de tarefas, captação ativa de clientes e uso de procurações eletrônicas para viabilizar as fraudes.

Indícios de lavagem de dinheiro e participação de servidores

As apurações também apontam o uso de mecanismos de ocultação de valores, como empresas interpostas, contas de terceiros e movimentações pulverizadas — o que, além de crimes tributários, caracteriza suspeita de lavagem de dinheiro. Há indícios de participação de servidores públicos, ampliando o alcance das irregularidades investigadas.

Mandados, prisões e bloqueios de bens

Ao todo, participaram da operação cerca de 215 policiais federais e 43 auditores e analistas da Receita Federal.

Na segunda fase da Operação Consulesa, foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão preventiva em cidades de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. O núcleo investigado teria causado prejuízo aproximado de R$ 670 milhões. A Justiça também determinou bloqueio de bens e afastamento de funções públicas.

Já a Operação Títulos Podres cumpriu 40 mandados de busca e apreensão e seis de prisão temporária em Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Maranhão. O prejuízo estimado é de R$ 100 milhões. Entre os investigados, há pelo menos dez advogados. Também foi determinado o bloqueio de cerca de R$ 32 milhões em bens e valores.

Próximos passos da investigação

As ações buscam interromper a atuação dos grupos, preservar provas e recuperar ativos. O material apreendido será analisado para identificar novos envolvidos e dimensionar o total das fraudes. As investigações continuam, e novas informações devem ser divulgadas em coletiva de imprensa ainda nesta manhã.

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