Mais de 90 perfis são derrubados após compartilhar vídeos ligados a estupro coletivo de menores em SP

A SSP-SP diz que a divulgação do material, mesmo sob alegação de “boa intenção”, é crime previsto no ECA e mantém buscas por quem publicou o vídeo ou trechos; investigação do vazamento foi incorporada ao inquérito do 63º DP.

07/05/2026 às 15:43 por Redação Plox

Mais de 90 perfis em redes sociais que compartilharam vídeos relacionados ao caso de estupro coletivo de dois menores de idade, ocorrido em São Paulo no fim de abril, foram removidos do ar pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), ligado à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). 


Perfis em redes sociais que compartilharam vídeos relacionados ao caso de estupro coletivo de dois menores de idade, ocorrido em São Paulo no fim de abril, foram removidos do ar.

Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil


A ação contou com apoio da organização não-governamental The National Center for Missing & Exploited Children (NCMEC), que reúne denúncias de exploração infantil e comunica plataformas digitais sobre a necessidade de retirada de conteúdos.

Compartilhar o vídeo, mesmo com “boa intenção”, também é crime

A SSP-SP afirma que, mesmo quando a divulgação ocorreu com a alegação de ajudar a esclarecer o caso, o compartilhamento do material configura crime, conforme regras do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Em meio às publicações, segundo a secretaria, há situações em que é possível diferenciar a intenção do conteúdo. Um dos indícios observados é a criação de perfis falsos voltados exclusivamente ao compartilhamento do material.

A primeira evidência para isso é a criação de perfis falsos com a única intenção desse compartilhamento

Lisandrea Salvariego Colabuono, delegada chefe do Noad

A divulgação de vídeos e imagens com conteúdo obsceno envolvendo crianças e adolescentes é punida com reclusão de 1 a 4 anos, além de multa. As buscas por perfis que tenham compartilhado o vídeo — ou trechos dele — continuam.

Investigação sobre o vazamento entrou no inquérito do estupro coletivo

As apurações sobre a circulação do conteúdo foram incluídas no mesmo inquérito que investiga o estupro coletivo, conduzido pelo 63º Distrito Policial.

Estamos investigando quem conhecia os envolvidos e divulgou o material bruto. Essas pessoas podem responder por divulgação de pedofilia, crime previsto no ECA

Júlio Geraldo, delegado titular

Como o crime ocorreu, segundo as apurações

De acordo com o relato da ocorrência, no dia 21 de abril, dois meninos, de 7 e 10 anos, foram aliciados por cinco homens para um imóvel no bairro Vila Jacuí, na Zona Leste da capital paulista. Eles teriam sido convidados para empinar pipa, mas, no local, os envolvidos cometeram o crime. O ato foi gravado e divulgado nas redes sociais.

Três dias depois, a irmã de um dos meninos reconheceu uma das vítimas nos vídeos e registrou a denúncia. Os suspeitos foram presos e indiciados pela Polícia Civil.

Um dos participantes, Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos, foi detido na terça-feira (5), após ser capturado na cidade de Brejões, na Bahia. Segundo a matéria, em declaração à Polícia Civil, ele confessou o crime e não demonstrou arrependimento, relatando apenas preocupação com consequências legais.

Os outros quatro adolescentes, entre 14 e 16 anos, também confessaram o crime e foram encaminhados à Fundação Casa.

Número de estupros de vulnerável no estado

Dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública apontam que o estado de São Paulo registrou 2.942 casos de estupro de vulnerável de janeiro a março de 2026. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, foram dez casos a mais.

Os números mensais também aumentaram ao longo do trimestre: foram 892 casos em janeiro, 915 em fevereiro e, em março, 1.135, segundo a secretaria.

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