Apartamentos minúsculos viram 'febre' no mercado de imóveis em grandes centros

07/07/2019 10:11

Alguns acreditam ser uma solução com alta rentabilidade para um problema urbano que tem piorado cada vez mais

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Em grandes centros urbanos do mundo, uma tendência em ascensão tem sido a construção de microapartamentos. 

Um prédio, que ainda está em construção, e terá o lançamento previsto apenas para o fim do ano, chegou ao mercado em Higienopolis e as unidades foram vendidas por aproximadamente R$ 70 mil. 

Em cidades como São Paulo, as pessoas chegam a passar três horas por dia se deslocando de casa para o trabalho, e vêem o centro como uma possibilidade de reduzir o tempo no trânsito. Entretanto, como o salário médio não permite comprar imóveis maiores, quem mora sozinho, prefere perder espaço e ganhar tempo.

Alguns arquitetos acreditam que o tamanho dá a sensação de trancar alguém em uma cela na prisão, outros acreditam ser uma solução com alta rentabilidade para um problema urbano que tem piorado cada vez mais.

Os defensores afirmam que os microapartamentos são uma resposta à dinâmica da chamada gig economy, ou economia compartilhada, em que os jovens trabalham de forma independente, têm filhos mais tarde e usam espaços de trabalho compartilhados (coworking).

Pablo Brodsky, diretor comercial da Predial, empresa que vende microapartamentos de 18 m² a 30 m², com preços a partir de US$ 40 mil (R$ 153 mil) e US$ 50 mil (R$ 192 mil), respectivamente, explica em entrevista à BBC News Mundo: "Fazemos produtos para pessoas de classe média que não conseguem comprar (um imóvel), que não têm acesso à moradia".

"As cidades expulsam as pessoas. É por isso que os microapartamentos são uma tendência que veio para ficar.", informa.

Entretanto, Brodsky acredita que tudo tem um limite, ou seja, você não pode construir moradias tão pequenas quanto as de São Paulo. "Eu não moraria em 10 m²", afirma.

Empresa afirma que seus apartamentos de 10 m² são os menores da América Latina Divulgação/VitaconEmpresa afirma que seus apartamentos de 10 m² são os menores da América Latina (Foto: Divulgação/Vitacon)

Estes imóveis também são comprados por pais de estudantes do interior do país, para que os filhos possam estudar na capital. "Eles têm uma localização muito boa, estão conectados ao metrô e podem ser comprados por pessoas que teriam que esperar mais cinco anos”, diz.

Já é possível encontrar apartamentos de 20m² em alguns sites de imobiliárias, principalmente para alugar. Se trata, em muitos casos, de moradias antigas reformadas, informa Leonardo González, analista do site Propiedades.com.

E há uma demanda por espaços pequenos entre membros da geração millennial, uma vez que não é fácil para eles comprar um apartamento. "Muitos não têm uma renda garantida, tampouco condições para comprar uma propriedade", relata.

Este apartamento de 10 m² em São Paulo foi vendido por R$ 70 mil Divulgação/Vitacon

Este apartamento de 10 m² em São Paulo foi vendido por R$ 70 mil. (Divulgação/Vitacon)

Em todo mundo a situação tem se repetido, visto que a casa própria própria se tornou um sonho cada vez mais distante. Muitos profissionais recém-formados tentam ficar na casa dos pais o maior tempo possível com a ideia de economizar.

Já outros, cansados ​​de passar horas presos no trânsito, acabam preferindo os microapartamentos. Uma ideia que deixa muitos urbanistas indignados, se perguntando por que não foram feitas políticas de planejamento urbano a tempo. O fato é que a demanda por moradia dificilmente vai desacelerar.

Atualizado às 15h29



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