Benedito Ruy Barbosa morre aos 95 anos em São Paulo, segundo hospital

Autor de clássicos como “Pantanal” e “O Rei do Gado”, ele teve complicações ligadas à insuficiência renal crônica, informou o HCor.

07/07/2026 às 09:59 por Redação Plox

Benedito Ruy Barbosa, um dos nomes mais importantes da teledramaturgia brasileira, morreu nesta terça-feira (7), em São Paulo, aos 95 anos. Segundo o Hospital do Coração (HCor), o autor faleceu em decorrência de complicações relacionadas à insuficiência renal crônica.

Benedito Ruy Barbosa

Benedito Ruy Barbosa

Foto: | Divulgação

Autor marcou a TV com sagas rurais

Responsável por histórias que atravessaram gerações, Benedito levou para a televisão o universo rural brasileiro, conflitos familiares, disputas por terra, romances intensos e a memória da imigração italiana. Entre suas obras mais conhecidas estão “Pantanal”, “Renascer”, “O Rei do Gado”, “Terra Nostra”, “Meu Pedacinho de Chão” e “Velho Chico”.

O dramaturgo havia enfrentado internações recentes. Em janeiro deste ano, ficou 19 dias internado no HCor para tratar uma infecção urinária associada ao quadro de insuficiência renal crônica. De acordo com informações divulgadas pelo hospital à imprensa, ele convivia com o diagnóstico de insuficiência renal crônica havia cerca de três anos.

Do interior paulista à televisão

Benedito nasceu em 17 de abril de 1931, em Gália, no interior de São Paulo, e passou parte da infância em Vera Cruz, região marcada por cafezais e pela presença de imigrantes japoneses e italianos. A vivência no interior paulista se tornaria uma das marcas mais fortes de sua obra.

Antes de se consolidar como autor de novelas, trabalhou em diferentes funções e passou pelo jornalismo. Foi revisor no jornal O Estado de S. Paulo, repórter esportivo e redator publicitário. A estreia na televisão ocorreu em 1966, na TV Tupi, com “Somos Todos Irmãos”. Em 1971, escreveu “Meu Pedacinho de Chão”, exibida em parceria pela TV Cultura e pela Globo.

Legado atravessou gerações

Na Globo, Benedito assinou contrato em 1976 e iniciou uma trajetória de destaque com “O Feijão e o Sonho”. Depois vieram produções como “Cabocla”, “Sinhá Moça” e “Paraíso”. Em 1990, ao escrever “Pantanal” para a TV Manchete, ajudou a mudar a estética das novelas brasileiras, com forte presença de cenas externas e valorização de paisagens naturais.

O sucesso de “Pantanal” abriu caminho para seu retorno à Globo, onde criou “Renascer”, em 1993, e “O Rei do Gado”, em 1996. Nos últimos anos, parte de sua obra voltou ao horário nobre em novas versões adaptadas pelo neto Bruno Luperi, como “Pantanal”, em 2022, e “Renascer”, em 2024.

Benedito Ruy Barbosa deixa uma obra associada à memória afetiva da televisão brasileira e a personagens ligados ao campo, à família e às raízes culturais do país. Informações sobre velório e sepultamento ainda não haviam sido divulgadas nas fontes consultadas.

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