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A exportação de carne bovina brasileira para a China entrou em uma fase de freio após o país praticamente completar a cota anual livre da tarifa adicional imposta pelo governo chinês. Segundo análise da StoneX divulgada nesta segunda-feira (6), o Brasil já havia usado 98,5% do limite até junho, considerando os embarques iniciados em novembro do ano passado e registrados até 30 de junho.
Carne bovina: Brasil quase esgota cota para vender à China e frigoríficos reduzem abates
Foto: Magnific
A cota chinesa para a carne bovina brasileira em 2026 é de cerca de 1,1 milhão de toneladas. Acima desse volume, passa a valer uma tarifa adicional de 55%, medida adotada por Pequim para proteger a produção local. Na prática, o limite reduz a atratividade de novos embarques no curto prazo e muda a programação dos frigoríficos, principalmente no terceiro trimestre.
De acordo com a StoneX, a carne que efetivamente já chegou à China representava 72% da cota até o fim de junho. Como há um intervalo aproximado de 45 dias entre o embarque no Brasil e a internalização no mercado chinês, a expectativa é que o saldo disponível seja consumido até agosto.
Esse cenário já levou parte da indústria a diminuir o ritmo de abates. A analista Larissa Barboza Alvarez, da StoneX, afirmou que há expectativa de maior oferta no mercado interno e possibilidade de remanejamento para outros destinos, mas a primeira reação dos frigoríficos foi reduzir a produção. No Mato Grosso, a proximidade do fim da cota foi apontada como um dos fatores para férias coletivas em unidades do setor.
O freio ocorre após um período de forte aceleração dos embarques. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), com base em dados da Secex/MDIC, informou que o Brasil exportou 1,705 milhão de toneladas de carne bovina no primeiro semestre de 2026, com receita de US$ 9,85 bilhões. O desempenho é o melhor da série histórica para o período.
A China continuou como principal destino da proteína brasileira, com 794,7 mil toneladas e US$ 4,87 bilhões em compras no semestre. Só em junho, as exportações totais de carne bovina do Brasil somaram 317,3 mil toneladas, também em patamar recorde, com faturamento de US$ 1,975 bilhão.
A StoneX avalia que boa parte da corrida exportadora ocorreu justamente por causa das cotas chinesas definidas para 2026. Com o limite praticamente alcançado, a tendência é de redução dos embarques ao país asiático até a abertura da cota de 2027, prevista para o quarto trimestre.
Além do Brasil, a Austrália também já esgotou sua cota para vender carne bovina à China. Argentina, Uruguai e Estados Unidos ainda têm espaço disponível, mas analistas apontam dúvidas sobre a capacidade desses países de suprir integralmente a demanda chinesa, diante da oferta mais limitada para exportação.