Flávio Bolsonaro pede nos EUA cancelamento de tarifa de 25% contra produtos brasileiros

Em audiência pública em Washington, senador citou investigação comercial aberta pelo USTR e disse querer o cancelamento definitivo da medida proposta.

07/07/2026 às 13:58 por Redação Plox

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou uma audiência pública em Washington, nesta terça-feira (7), para defender que os Estados Unidos desistam da tarifa de 25% proposta contra produtos brasileiros. A participação dele estava prevista no painel 8 do segundo dia da audiência do Escritório do Representante de Comércio dos EUA, o USTR, dentro da investigação comercial aberta contra práticas do Brasil.

Flávio Bolsonaro fala em audiência comercial nos EUA sobre corrupção •

Flávio Bolsonaro fala em audiência comercial nos EUA sobre corrupção •

Foto: Fotográfo/Agência Brasil

Corrupção entrou no discurso

No discurso, Flávio associou casos recentes de corrupção e investigações no país a governos do PT e citou episódios envolvendo o INSS e o Banco Master. O senador também afirmou, como argumento político diante das autoridades americanas, que o governo de Jair Bolsonaro teria passado quatro anos sem escândalos de corrupção. As apurações citadas por ele seguem em curso e não representam condenação dos investigados.

Segundo reportagem do UOL, Flávio disse na audiência que as tarifas anteriores não produziram o efeito pretendido pelos EUA e que novas barreiras comerciais poderiam fortalecer politicamente o governo Lula. Ao ser questionado pela imprensa brasileira se defendia adiamento ou cancelamento definitivo da cobrança, o senador respondeu que queria o cancelamento.

O que está em jogo

A investigação americana envolve temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. No aviso publicado no Federal Register, o USTR propôs aplicar tarifa de 25% sobre bens brasileiros, com exceções para determinados produtos.

Ao mencionar o INSS, Flávio citou o filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Na CPMI do INSS, a Agência Senado informou que houve requerimento para quebra de sigilos bancário e fiscal dele, com base em mensagens interceptadas citadas pelo relator. Já no caso Banco Master, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição em novembro de 2025, e a Polícia Federal apura suspeitas de crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.

Pix também virou argumento

Flávio também tratou do Pix, tentando apresentá-lo como um ativo brasileiro que não deveria ser alvo de restrições comerciais. Em manifestação anterior ao USTR, o senador defendeu impedir a integração do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos a redes de compensação transfronteiriças

não ocidentais alegando que isso poderia reduzir preocupações americanas.
O Pix foi lançado em 2020 e é operado pelo Banco Central, ponto que também aparece entre as críticas do USTR, que acusa o Brasil de favorecer o sistema em relação a empresas americanas de pagamentos.

A decisão final sobre a eventual adoção das tarifas ainda depende do processo conduzido pelo governo americano. A Reuters informou que os Estados Unidos têm até 15 de julho para decidir sobre a medida, que, se aplicada, pode atingir uma série de produtos brasileiros, embora com exceções previstas.

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