Itamaraty alerta para risco de EUA usar força militar no Brasil

Em ofício enviado ao deputado Evair Vieira de Melo, Mauro Vieira citou possibilidade de medidas unilaterais, impactos financeiros, migratórios e penais e até menção ao uso de força em território brasileiro.

07/07/2026 às 11:47 por Redação Plox

O Itamaraty afirmou à Câmara dos Deputados que a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos pode abrir margem para medidas unilaterais contra pessoas, empresas e instituições brasileiras. Em resposta assinada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a pasta também apontou risco à soberania nacional e citou a possibilidade de


uso de força militar
dos EUA em território brasileiro.

O documento mais recente foi encaminhado em 1º de julho ao deputado federal Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), autor de requerimento de informações sobre os impactos diplomáticos e econômicos da decisão norte-americana. Na avaliação do chanceler, a medida pode gerar efeitos no campo financeiro, migratório e penal, especialmente pela aplicação extraterritorial da legislação antiterrorismo dos Estados Unidos.


Itamaraty alerta para risco de EUA usar força militar no Brasil

Itamaraty alerta para risco de EUA usar força militar no Brasil

Foto: Reprodução/War.Gov


Itamaraty fala em “confusão” entre crime organizado e terrorismo

Mauro Vieira sustentou que o enquadramento unilateral das facções como grupos terroristas não traria benefícios concretos para a cooperação internacional no combate ao crime organizado. Para o Itamaraty, a medida pode dificultar a relação entre autoridades dos dois países ao misturar, sob a ótica da legislação brasileira, dois fenômenos distintos: terrorismo e criminalidade organizada.

O chanceler também informou que o governo brasileiro não recebeu comunicação formal prévia dos Estados Unidos sobre a intenção de designar PCC e CV como organizações terroristas. Ainda assim, segundo a resposta, o Brasil tem buscado manter canais diplomáticos para reforçar a cooperação internacional contra o narcotráfico, a lavagem de dinheiro e outras atividades transnacionais, com base no respeito à soberania nacional.

Decisão entrou em vigor em junho

A designação das facções brasileiras como Organizações Terroristas Estrangeiras foi publicada no Federal Register, diário oficial do governo norte-americano, e entrou em vigor em 5 de junho. A decisão foi assinada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, com base na Lei de Imigração e Nacionalidade daquele país.

O alerta do Itamaraty ganhou novo peso após o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciar, em 1º de julho, sanções contra dois brasileiros, três empresas brasileiras e uma empresa portuguesa por supostos vínculos com uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC. Segundo o governo norte-americano, as medidas bloqueiam bens sob jurisdição dos EUA e restringem transações com os alvos sancionados.

Debate deve continuar no Congresso

Em outra resposta a parlamentar, datada de maio, o Itamaraty já havia indicado que a reclassificação tenderia a

militarizar
a agenda regional de combate ao crime organizado, além de aumentar custos de compliance para empresas e instituições financeiras. Os documentos não apontam uma ação militar concreta em preparação, mas registram a avaliação diplomática de que a nova classificação pode criar riscos jurídicos e políticos para o Brasil.

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