Cármen Lúcia ganha papel central em disputa entre Moraes e Mendonça no STF

Ministra analisará processo sobre mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro sem antecipar voto.

07/09/2026 às 12:25 por Redação Plox

A análise do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro colocou a ministra Cármen Lúcia em posição relevante na disputa interna que envolve Alexandre de Moraes e André Mendonça. Sem indicar previamente de que lado ficará, ela é vista como peça importante para o equilíbrio entre os grupos formados na Corte. 

Com caso liberado ao plenário, Cármen Lúcia vira voto-chave na crise entre Moraes e Mendonça.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


De acordo com apuração da Folha de S.Paulo, a ministra identifica falhas nas atitudes adotadas tanto por Moraes quanto por Mendonça nos episódios que agravaram a tensão no tribunal. A interlocutores, Cármen Lúcia tem dito que avaliará o caso com base nos documentos do processo e na Constituição, sem se vincular antecipadamente a qualquer corrente.

O processo foi encaminhado ao plenário por Mendonça no domingo (6), mas a data e o formato do julgamento ainda dependem de decisão do presidente do STF, Edson Fachin. Enquanto não há definição sobre a sessão, Cármen Lúcia mantém em reserva sua posição sobre o mérito.

Atos dos dois ministros estão sob discussão

Parte do debate trata da decisão de André Mendonça de suspender o sigilo do relatório da Polícia Federal. O documento reuniu mensagens enviadas por Vorcaro a um telefone que os investigadores identificaram como pertencente a Alexandre de Moraes. A Procuradoria-Geral da República questionou se o procedimento adotado por Mendonça foi legal. 

Atos dos dois ministros estão sob discussão.

Foto: Reprodução


O outro foco recai sobre a resposta de Moraes à divulgação do relatório. No âmbito do inquérito das fake news, o ministro solicitou a apuração da conduta de Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Posteriormente, Fachin retirou o pedido desse inquérito e ordenou que os envolvidos apresentassem informações a respeito do caso.

Cármen Lúcia procurou Moraes para demonstrar solidariedade diante da exposição pública decorrente da divulgação das mensagens. Esse contato, no entanto, não representou um compromisso em relação ao voto. Depois, a ministra também teria manifestado desconforto com a reação de Moraes contra Mendonça e preocupação com os efeitos institucionais do embate.

Relatório reúne mensagens enviadas em 2025

O material da Polícia Federal contém 52 mensagens encaminhadas por Vorcaro ao contato atribuído a Moraes entre outubro e novembro de 2025. Os investigadores não conseguiram recuperar as respostas associadas ao ministro. Assim, em grande parte dos casos, não é possível determinar qual foi sua reação às solicitações feitas pelo então banqueiro nem se alguma providência foi tomada.

Nesse contexto, o entendimento de Cármen Lúcia poderá ter peso na avaliação dos procedimentos atribuídos aos dois ministros e na própria correlação de forças dentro do STF. A Corte aguarda agora que Fachin estabeleça quando e de que maneira o plenário examinará a controvérsia.

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