Política

Lewandowski pede demissão do Ministério da Justiça após quase dois anos no cargo

Ministro alegou motivos pessoais e familiares ao entregar carta de demissão a Lula; sucessor herdará a condução da PEC da Segurança Pública, prioridade do governo no Congresso

08/01/2026 às 17:29 por Redação Plox

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, entregou nesta quinta-feira (8) uma carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão, segundo ele, foi motivada por questões pessoais e familiares. A saída ocorre após quase dois anos à frente da pasta, que ele assumiu em fevereiro de 2024, depois de se aposentar do Supremo Tribunal Federal (STF).

A exoneração, já aguardada há semanas, deverá ser oficializada na próxima edição do Diário Oficial da União. Pela manhã, Lewandowski participou de seu último compromisso público ao lado de Lula, em cerimônia que marcou os três anos da tentativa de ruptura institucional de 8 de janeiro.

Foto: Agência Brasil


No ministério, a transição será conduzida pelo secretário-executivo Manoel Almeida, que assume interinamente o comando da Justiça.

Carta a Lula e balanço da gestão

Na carta dirigida ao presidente, Lewandowski afirmou que deixa o cargo com a sensação de dever cumprido e ressaltou a dedicação de sua equipe, mesmo em um cenário adverso, com limitações políticas, conjunturais e orçamentárias. O ministro também agradeceu a Lula pela oportunidade de voltar ao serviço público após a aposentadoria no STF.

Responsável por uma ampla estrutura na área de Justiça e segurança, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) abriga órgãos como a Polícia Federal (PF), a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), a Secretaria Nacional de Política sobre Drogas (Senad) e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), entre outros.

Demarcação de terras indígenas e segurança pública

Em outra carta, dirigida aos servidores do ministério, Lewandowski fez um balanço de sua gestão. Ele destacou o retomada das demarcações de terras indígenas, que estavam paralisadas desde 2018. Segundo o ministro, entre 2024 e 2025 foram assinadas 21 Portarias Declaratórias, garantindo proteção territorial a diversas comunidades indígenas, e houve a assinatura de cinco decretos de homologação em 2024 e sete em 2025, todos amparados pelos marcos legais e constitucionais.

Lewandowski também ressaltou o programa de implantação de câmeras corporais em agentes de segurança, que contou com a adesão de 11 estados e recebeu investimentos de R$ 155,2 milhões em equipamentos. Outro ponto enfatizado foi a regulamentação do uso progressivo da força pelas polícias, acompanhada da compra e distribuição de armamentos de menor potencial ofensivo, política que já recebeu adesão de 21 unidades da federação.

Controle de armas, programas digitais e direitos de crianças

No balanço enviado aos servidores, o ministro apontou ainda avanços no controle de armas e munições, incluindo a retirada de circulação de 5.600 armas e 298.844 munições, além da implantação de um novo sistema de gestão e fiscalização de armamentos de CACs, sob responsabilidade da Polícia Federal, voltado a fortalecer o controle estatal e a rastreabilidade.

Lewandowski mencionou outros programas conduzidos pela pasta, como o Celular Seguro, o Município Mais Seguro e o leilão de bens apreendidos do crime organizado. Na área de direitos de crianças e adolescentes, destacou a atualização da política de Classificação Indicativa, com a criação da faixa de “não recomendado para menores de 6 anos” e ajustes específicos para o ambiente digital.

Desafio para o sucessor na área de segurança

A saída de Lewandowski deixa para o próximo titular do Ministério da Justiça e Segurança Pública o desafio de conduzir uma das principais apostas do governo federal na área: a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública. A proposta avançou no Congresso Nacional no fim do ano passado, mas ainda tem um longo caminho de tramitação até eventual aprovação final.

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