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Política
PF apura ligação entre lobista ‘Careca do INSS’ e Lulinha após encomenda em apartamento de luxo
Mensagens indicam pedido de entrega de ‘medicamento’ em imóvel alugado por Fábio Luís Lula da Silva, em Moema; defesa nega vínculo com lobista investigado por esquema milionário no INSS
08/01/2026 às 11:03por Redação Plox
08/01/2026 às 11:03
— por Redação Plox
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Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, pediu a entrega de uma encomenda em um apartamento alugado pelo empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A remessa aparece em novos dados da investigação sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o 'careca do INSS' foi preso pela Polícia Federal (
Foto: Reprodução/Linkedin)
Em 6 de outubro de 2024, Antunes encaminhou a um funcionário o endereço de um prédio residencial em Moema, na zona sul de São Paulo, e solicitou a entrega de um “medicamento” no local. De acordo com as mensagens, ele determinou que a encomenda fosse endereçada a Renata Moreira, esposa de Lulinha. O conteúdo das conversas foi acessado pela reportagem.
Entrega em imóvel ligado a ex-sócio de Lulinha
O apartamento indicado para a entrega pertence formalmente ao empresário Jonas Leite Suassuna Filho, ex-sócio de Lulinha, conforme documentos de cartórios de São Paulo. O imóvel fica na rua Juriti, em Moema, região de alto padrão da capital paulista.
Questionado sobre o episódio, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que já atuou na defesa de Lulinha em outros processos, afirmou que o filho do presidente desconhece a encomenda e não aparece como destinatário. Ele também reiterou que não há relação de proximidade entre Lulinha e o Careca do INSS e afirmou que há uma tentativa de associá-lo ao esquema de fraude previdenciária.
Nome de Lulinha em dados sigilosos
A Polícia Federal investiga eventual ligação de Lulinha com o Careca do INSS, apontado como um dos principais operadores de um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões pagas pela Previdência Social. A apuração busca esclarecer a suspeita de que o filho do presidente seria sócio oculto do lobista.
As menções a Lulinha aparecem em três conjuntos de dados obtidos a partir da quebra de sigilo de investigados ligados a Antonio Carlos Camilo Antunes, preso desde setembro sob suspeita de comandar um esquema milionário de fraudes no INSS. As informações foram encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal.
Segundo a PF, referências ao filho do presidente surgiram durante a análise de materiais apreendidos. Diante disso, o advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que Lulinha está tranquilo e nega qualquer vínculo, direto ou indireto, com o INSS. A defesa reforça que ele não é sócio do Careca do INSS e nunca manteve negócios com o lobista.
Viagens e movimentações financeiras sob análise
As investigações também apontam proximidade entre o Careca do INSS e pessoas do círculo de relações de Lulinha. Documentos da Polícia Federal indicam que os dois viajaram juntos para Portugal em novembro de 2024. Além disso, Antunes teria transferido cerca de R$ 1,5 milhão para a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e de Renata Moreira.
Em uma dessas operações, segundo a PF, o lobista afirmou que o montante seria destinado ao “filho do rapaz”, expressão que ainda é analisada pelos investigadores. Roberta Luchsinger foi alvo de mandado de busca e apreensão e é apontada como tendo atuado em lobby no Ministério da Saúde ao lado do Careca do INSS.
Lula defende apuração sem restrições
Em dezembro do ano passado, após uma nova fase da Operação Sem Desconto, o presidente Lula declarou que todas as pessoas envolvidas na fraude do INSS devem ser investigadas. Segundo ele, não haverá exceções, inclusive em relação a familiares, caso surjam indícios.
Imóvel em Moema já apareceu em outras investigações
O apartamento alugado por Lulinha em Moema já havia sido mencionado em investigações anteriores da Polícia Federal, no âmbito da Operação Lava Jato. O proprietário, Jonas Suassuna, foi sócio de Lulinha na empresa Gamecorp e também figurou em apurações relacionadas ao sítio de Atibaia, usado por Lula e pela ex-primeira-dama Marisa Letícia.
Adquirido em 2009, o imóvel ocupa sozinho o 23º andar de uma das torres de um condomínio de alto padrão, com piscina, três suítes, terraço gourmet e quatro vagas de garagem. De acordo com a escritura, a unidade tem 524 metros quadrados de área total. O contrato de locação permanece ativo, segundo informou a defesa de Lulinha.