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Uma fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a relação do PT com o eleitorado evangélico provocou reação imediata do líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), que o acusou de “usar o Estado para tentar comprar consciência”. A declaração de Lula foi feita na Bahia, durante a celebração dos 46 anos do PT, quando ele defendeu que o partido deve se dirigir diretamente aos fiéis, sem esperar apoio explícito de pastores.
Líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), criticou declaração do presidente Lula (PT) sobre disputa pelo voto da população evangélica nas eleições
Foto: Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Ao encerrar o ato partidário no sábado (7), Lula afirmou que a sigla precisa mudar a forma de se comunicar com esse segmento religioso e citou dados sobre o alcance dos programas sociais entre os evangélicos, relacionando esse público aos benefícios pagos pelo governo federal.
No Congresso, as declarações foram contestadas por Sóstenes Cavalcante, que lidera a bancada do PL na Câmara e é pastor. Ele rebateu o percentual citado por Lula e criticou a estratégia do PT para tentar ampliar sua influência entre as igrejas, acusando o partido de desconhecer a base de princípios que orienta o voto dos evangélicos.
Em suas redes sociais, Sóstenes argumentou que o PT erra ao tentar se aproximar dos evangélicos ignorando a importância da liderança religiosa dentro das igrejas. Para o deputado, esse tipo de discurso afasta ainda mais o segmento do governo federal e reforça a resistência de fiéis e pastores à esquerda.
O parlamentar também associou a fala de Lula a uma visão que, na avaliação dele, reduz a fé a benefícios e programas sociais. Nesse contexto, reforçou que, embora políticas de assistência tenham impacto na vida dos mais pobres, não garantem apoio automático nas urnas nem interferem na autonomia de decisão dos eleitores.
Ao reagir ao trecho em que Lula relaciona votos evangélicos e repasses de recursos públicos, Sóstenes afirmou que programas sociais não podem ser confundidos com mecanismo de controle político e rejeitou qualquer ideia de que o recebimento de auxílio signifique subordinação ao governo.
A preocupação de Lula com o desempenho do PT entre os evangélicos não é nova. Desde a campanha passada, o presidente tem cobrado da sigla uma estratégia específica para se aproximar desse eleitorado, considerado decisivo em disputas acirradas e com forte presença nas periferias urbanas e em regiões de menor renda.
Neste mandato, o governo ensaiou alguns movimentos nesse sentido. Em dezembro, Lula assinou um decreto que reconhece a cultura gospel como manifestação cultural nacional, numa tentativa de dialogar com artistas e lideranças do segmento. Também indicou para o Supremo Tribunal Federal (STF) o então advogado-geral da União, Jorge Messias, que é evangélico e mantém canais abertos com representantes da bancada evangélica no Congresso.
A ofensiva do Planalto sobre esse grupo ocorre em paralelo à mobilização de partidos de oposição, como o PL, que consolidaram uma base expressiva entre fiéis e pastores nos últimos ciclos eleitorais e trabalham para manter a vantagem nesse eleitorado nas disputas de 2026.