Cooperativas femininas de Minas Gerais: Pioneirismo no emprego e desenvolvimento econômico

Mulheres representam significativa parcela de cooperados e lideram produção inovadora no estado

Por Plox

08/03/2024 07h04 - Atualizado há 3 meses

No estado de Minas Gerais, cooperativas lideradas por mulheres têm sido fundamentais na economia, gerando uma movimentação financeira significativa de R$ 118,4 bilhões em 2022, conforme dados do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais (Ocemg). Esse valor representa 12,8% do total do PIB estadual, destacando a importância do segmento cooperativista no desenvolvimento econômico mineiro. Além disso, as mulheres ocupam 33,2% das posições de cooperados e 53,6% dos empregos no setor, demonstrando seu papel crucial na expansão e na sustentabilidade das cooperativas.

Foto: Mulheres do Cerrado/Divulgação

Liderança Feminina e Desenvolvimento Econômico

Desde a pastoral da criança na década de 90, Avilmaura Ferreira Santos, conhecida como Vilma, já se engajava em atividades comunitárias em São João da Ponte, no Norte de Minas. Com o passar dos anos, esse envolvimento evoluiu para a criação de cooperativas, como a Mulheres do Cerrado, que hoje é uma das 4.693 cooperativas ativas no Brasil, segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro de 2023. A presença feminina em cargos de liderança nesse meio cresceu para 22% desde 2020, ilustrando um aumento na participação feminina e no reconhecimento de seu potencial de liderança.

O Impacto do Café Feminino no Sul de Minas

A produção de café, um dos principais produtos agrícolas de Minas Gerais, também reflete a influência significativa das mulheres. No Sul do estado, a Cooperativa dos Agricultores Familiares de Poço Fundo e Região (Coopfam) destaca-se pelo Café Feminino, iniciativa que envolve de 35 a 40 agricultoras. Essa iniciativa não apenas promove a igualdade de gênero no setor agrícola mas também valoriza o trabalho feminino, contribuindo para a mudança de perspectiva sobre o papel da mulher no agronegócio.

Fortalecimento da Comunidade e Segurança Alimentar

Vilma Santos e a Cooperativa Mulheres do Cerrado exemplificam como o cooperativismo pode ser uma ferramenta de empoderamento feminino e desenvolvimento sustentável. Ao coletar e comercializar cerca de 2,5 toneladas de farinha de jatobá por ano, a cooperativa não só gera renda para as mulheres envolvidas mas também promove a segurança alimentar na região, aproveitando recursos naturais locais de maneira sustentável.

Esther Ferreira Araújo, vice-presidente da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), destaca a meta ambiciosa do setor de movimentar R$ 1 trilhão e agregar 30 milhões de cooperados até 2027, evidenciando o potencial de crescimento e a importância das mulheres nesse processo. Isabela Perez, gerente geral da Ocemg, reforça essa visão ao mencionar o papel proativo e inclusivo das mulheres no cooperativismo, que contribui para a criação de um ambiente mais equilibrado e justo.

O sucesso das cooperativas femininas em Minas Gerais não apenas reflete a capacidade de liderança e inovação das mulheres no setor mas também sublinha a importância do cooperativismo como veículo de desenvolvimento econômico, social e sustentável, demonstrando o potencial transformador da inclusão feminina em todos os níveis da economia.

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