Crise no PT gaúcho expõe disputa por palanque pró-Lula e candidatura ao Piratini
Direção nacional pressiona por apoio a Juliana Brizola (PDT), enquanto diretório estadual e aliados defendem Edegar Pretto; impasse pode levar a novas candidaturas na esquerda
08/04/2026 às 08:40por Redação Plox
08/04/2026 às 08:40
— por Redação Plox
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A montagem do palanque que defenderá o nome de Lula no Rio Grande do Sul abriu uma crise interna no PT. A disputa sobre as alianças no estado colocou em lados opostos o diretório estadual e a direção nacional do partido. Enquanto a cúpula tenta levar a legenda a apoiar a pré-candidata do PDT ao Palácio Piratini, Juliana Brizola, lideranças locais lançaram o nome do ex-presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Edegar Pretto, na corrida pelo governo gaúcho.
Entre os que resistem à orientação nacional estão nomes históricos da sigla, como os ex-governadores Olívio Dutra e Tarso Genro. A crise começou a se desenhar no início deste ano, quando Lula recebeu no Palácio do Planalto a neta de Leonel Brizola, levada pelo ex-ministro Carlos Luppi (Trabalho).
Crise no PT: o que pode acontecer com a aliança de apoio a Lula no Rio Grande do Sul
Foto: crédito: Foto: Anderson Barbosa/PT Brasil
Direção nacional pressiona por aliança com o PDT
O PDT exige a cabeça de chapa em nome da coligação nacional de apoio à reeleição do presidente. Sem entendimento entre os dois partidos no estado, o impasse estourou nesta terça-feira, 7, após reunião do GTE (Grupo de Trabalho Eleitoral) do PT. O grupo recomendou que “a tática política no estado do Rio Grande do Sul deve estar alinhada à leitura nacional e internacional da conjuntura” e determinou “a construção de uma tática eleitoral conjunta com o PDT, e demais partidos do campo democrático, sob a liderança da companheira Juliana Brizola”.
Pretto pede que decisão passe pelo diretório estadual
Edegar Pretto foi avisado do encaminhamento pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, mas não aceitou de imediato. Ele pediu a convocação do diretório estadual — instância que articulou os apoios ao seu nome — para avaliar se a orientação será acatada.
A reunião está prevista para o próximo sábado, 11. A ideia, segundo a avaliação de dirigentes locais, é levar a Porto Alegre o maior número possível de apoiadores espalhados por municípios gaúchos, em um encontro que pode se transformar em manifesto contra a direção nacional.
Aliança costurada no estado pode se desfazer
A candidatura de Pretto foi acordada entre o PT e um conjunto de partidos de esquerda no estado. No palanque acertado estavam a ex-deputada Manuela D’Ávila (PSOL), pré-candidata ao Senado, o ex-deputado Beto Albuquerque, que comanda o PSB no estado, além de representantes do PCdoB, PV e Rede.
Se a intervenção se concretizar e a candidatura de Pretto for descartada, o PSOL já decidiu que não apoiará Juliana Brizola e lançará como candidato o advogado Pedro Ruas.
PSB condiciona posição ao maior grupo pró-Lula
“Agora, esse grupo é o que está com Edegar”
Beto Albuquerque
Beto Albuquerque, que tirou o partido do governo de Eduardo Leite há um mês para entrar no projeto com o PT, disse ao PlatôBR que ficará onde houver o maior grupo político de apoio a Lula e de oposição ao candidato apoiado por Leite ou ao bolsonarismo. Ele também reconheceu o impacto de uma possível intervenção, afirmando que isso não deveria ocorrer depois de “tudo construído” e que poderia ter sido feito no ano passado.
Segundo ele, o PSB está no apoio a Pretto e, neste momento, resta aguardar que o PT se resolva.
Ato com seis partidos reforça resistência à orientação
Na segunda-feira, 6, véspera da reunião do GTE, Edegar Pretto realizou um ato político com apoio de seis partidos, lançando seu nome para o governo do estado. O evento teve tom de protesto diante da possibilidade de intervenção da direção nacional na condução estadual.
Petistas como Olívio Dutra, Raul Pont, Tarso Genro e Ary Vanazzy, entre outros, discursaram em resistência à imposição.
Presidência do PT não respondeu
O PlatôBR procurou contato com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, mas não houve retorno às ligações. O espaço segue aberto.