Dólar cai 1,39% e petróleo despenca após cessar-fogo temporário entre EUA e Irã

Acordo de duas semanas e reabertura do Estreito de Ormuz aliviaram o cenário internacional, enquanto investidores aguardam ata do Fed e fala de Galípolo na CPI

08/04/2026 às 10:11 por Redação Plox

O dólar abriu em queda nesta quarta-feira (8) e recuava 1,39% pouco depois do início do pregão, cotado a R$ 5,0831. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começa a ser negociado a partir das 10h.

Os investidores seguem atentos aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Um acordo temporário entre Estados Unidos e Irã ajudou a reduzir parte das tensões e passou a influenciar o comportamento dos preços no mercado internacional.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: Free Pik


Acordo entre EUA e Irã derruba petróleo e mexe com o mercado

No exterior, o mercado repercute a decisão de EUA e Irã estabelecerem um cessar-fogo de duas semanas, que inclui a reabertura do Estreito de Ormuz. A suspensão temporária dos ataques teve reflexo imediato no mercado de petróleo, que registrou queda na noite de terça-feira.

Pouco antes das 9h (horário de Brasília), o barril do Brent, referência global, recuava 15,31%, para US$ 92,54. Já o WTI, usado como referência nos EUA, caía 17,26%, para US$ 93,43.

O acordo foi anunciado pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador do conflito. As negociações entre os países estão previstas para ocorrer em Islamabad, capital paquistanesa.

Investidores aguardam ata do Fed e agenda no Brasil

Além da questão geopolítica, investidores também aguardam a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. O documento detalha as discussões que levaram à decisão de manter os juros no país.

No Brasil, a agenda desta quarta-feira inclui a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na CPI do Crime Organizado, prevista para começar às 9h.

Como ficam os acumulados de dólar e Ibovespa

Dólar: acumulado da semana (-0,09%); acumulado do mês (-0,46%); acumulado do ano (-6,08%).

Ibovespa: acumulado da semana (+0,11%); acumulado do mês (+0,42%); acumulado do ano (+16,84%).

Trégua no Irã e negociações em Islamabad

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (7) uma trégua temporária nas tensões com o Irã. Segundo ele, o governo americano decidiu adiar por duas semanas um ultimato que previa novos ataques, abrindo espaço para negociações entre os dois países.

Trump havia estabelecido prazo até 21h de ontem (horário de Brasília) para que o Irã aceitasse um acordo e garantisse a reabertura completa da passagem marítima.

Em publicação na rede Truth Social, o presidente americano afirmou que resolveu suspender temporariamente as ações militares após um pedido de autoridades do Paquistão, que atuam como mediadoras nas conversas entre os dois países.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, anunciou que as negociações ocorrerão em Islamabad, capital do país. O objetivo é buscar um entendimento mais amplo entre as partes.

De acordo com autoridades da Casa Branca, o acordo de trégua também envolve Israel. Veículos da imprensa israelense afirmaram ainda que o cessar-fogo inclui o Líbano.

Trump declarou que os objetivos militares dos EUA no Irã já foram alcançados e que as negociações para um acordo definitivo de paz estariam avançadas.

Segundo ele, Washington recebeu de Teerã uma proposta com 10 pontos, considerada uma base possível para negociação. O presidente afirmou ainda que a maior parte das divergências entre os dois países já teria sido resolvida.

Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, confirmou que um acordo foi fechado. Ele afirmou que o Irã vai suspender ações defensivas, desde que os ataques contra o país também sejam interrompidos.

Araghchi acrescentou que, durante o período de trégua, a navegação pelo Estreito de Ormuz será considerada segura, embora com algumas condições.

Bolsas globais sobem com alívio no cenário internacional

As bolsas de valores ao redor do mundo operavam em alta nesta quarta-feira.

Nos EUA, os principais índices de Wall Street indicavam um dia positivo antes mesmo da abertura do pregão. No pré-mercado, os contratos futuros do S&P 500 subiam 2,7%, enquanto os do Dow Jones avançavam 2,6%. Já os futuros do Nasdaq registravam alta de 3,4%.

Na Europa, os mercados também apresentavam ganhos expressivos. Por volta das 9h30 (horário de Brasília), o índice pan-europeu STOXX 600 avançava 4,05%, aos 614,52 pontos.

Entre as principais bolsas da região, o CAC 40, da França, subia 4,5% por volta do meio-dia. O DAX, da Alemanha, avançava quase 5%, enquanto o FTSE 100, do Reino Unido, registrava alta de 2,9%.

Na Ásia, os mercados fecharam em alta. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 3,1%, para 25.893,02 pontos, enquanto o Shanghai Composite, da China, avançou 2,7%, para 3.995,00 pontos.

O Nikkei 225, do Japão, terminou o pregão com alta de 5,4%, aos 56.308,42 pontos. Já o Kospi, da Coreia do Sul, registrou ganho de 6,9%, aos 5.872,34 pontos.

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