Receita aponta repasses de R$ 40,1 milhões do Banco Master a escritório ligado à mulher de Moraes
Documentos enviados à CPI do Senado indicam 11 pagamentos em 2024 ao Barci de Moraes Sociedade de Advogados; escritório diz não confirmar dados e fala em vazamento ilícito
08/04/2026 às 09:25por Redação Plox
08/04/2026 às 09:25
— por Redação Plox
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Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Senado que investiga o crime organizado indicam que o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, do qual Viviane Barci de Moraes — mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes — é sócia, recebeu R$ 40,11 milhões do Banco Master, de Daniel Vorcaro, ao longo de 2024.
As informações constam em uma declaração de Imposto de Renda do banco, cujo sigilo fiscal foi quebrado por decisão da CPI. De acordo com os dados da Receita obtidos pela Folha, o Master declarou 11 pagamentos mensais de R$ 3.646.529,72 ao escritório em 2024, somando R$ 40.111.826,92.
Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF , é uma das sócias do escritório, que tinha um contrato com banco de Vorcaro.
Foto: Reprodução / Agência Brasil.
Escritório contesta e ministro não se manifesta
Procurado, o Barci de Moraes afirmou que não confirma as informações e mencionou que os dados fiscais são sigilosos, além de alegar que teriam sido vazados de forma ilícita. O escritório não informou qual seria o valor correto dos pagamentos. Alexandre de Moraes também foi procurado, mas não se manifestou até a publicação do texto original.
Contrato previa pagamentos mensais e foi interrompido após liquidação
O contrato do Banco Master com o escritório foi assinado em 2024 e previa pagamento mensal de R$ 3,5 milhões, totalizando R$ 129 milhões em três anos.
Apesar de o acordo prever 36 pagamentos, ele foi interrompido em novembro de 2025, quando o banco de Daniel Vorcaro foi liquidado pelo Banco Central e o ex-banqueiro foi preso. A defesa de Vorcaro foi procurada pela reportagem, mas não se manifestou.
Relator diz que Receita enviou dados incompletos à CPI
Na sessão plenária do Senado desta terça-feira (7/4), o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), informou que os dados haviam sido entregues à comissão e afirmou que a Receita Federal teria encaminhado informações incompletas inicialmente. Segundo ele, a complementação teria sido enviada apenas na segunda-feira (6/4).
Mesmo com a quebra de sigilo aprovada pela Comissão Parlamentar de Inquérito e não suspensa pela Justiça, a Receita Federal do Brasil mandou os dados incompletos. Foi preciso solicitar a reiteração, a complementação, para que chegasse o dado bancário que comprova o recebimento e a dedução de impostos pelo escritório da doutora Viviane Barci. Só em um ano, R$ 40 milhões recebidos. Contraprestação de serviço? A própria doutora Viviane já publicizou: nada que justifique esse valorSenador Alessandro Vieira (MDB-SE)
Escritório diz ter prestado consultoria e realizado reuniões
No mês passado, o Barci de Moraes confirmou que prestou serviços de consultoria e atuação jurídica ao banco entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Segundo o escritório, nesse período foram realizadas 94 reuniões de trabalho, sendo 79 presenciais na sede do Master.
O escritório também afirmou que produziu 36 pareceres e opiniões legais sobre temas como compliance, regulação e questões trabalhistas e previdenciárias, entre outros assuntos.
CPI será encerrada após negativa de prorrogação
Também nesta terça-feira, Vieira se reuniu com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para solicitar a prorrogação da CPI do Crime Organizado, mas recebeu resposta negativa. Com isso, a comissão deverá ser encerrada na próxima terça-feira (14), com a votação do relatório final.
À imprensa, Vieira disse que Alcolumbre preferiu não estender a CPI em meio ao período eleitoral e classificou a decisão como um “desserviço para o Brasil”.