Documentos da Receita apontam R$ 80 milhões repassados a escritório de esposa de Moraes por banco investigado
Material obtido pela CPI do Crime Organizado no Senado, após quebra de sigilo fiscal do Banco Master, indica repasses entre 2024 e 2025 e cita contrato encontrado no celular do dono do banco
08/04/2026 às 09:37por Redação Plox
08/04/2026 às 09:37
— por Redação Plox
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O escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, recebeu do Banco MasterR$ 80 milhões entre 2024 e 2025. A informação consta em documentos da Receita Federal obtidos pela CPI do Crime Organizado, do Senado, após a quebra do sigilo fiscal da instituição financeira.
Os repasses foram declarados pelo Master à Receita Federal por meio de impostos retidos diretamente na fonte, recolhidos no momento da emissão de nota de prestação de serviços.
Viviane e Alexandre de Moraes
Foto: Divulgação
Procurado, o escritório Barci de Moraes afirmou que “não confirma as informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos”.
Contrato previa pagamentos mensais e foi encontrado em celular do dono do banco
Viviane Barci tinha um contrato com o Master que previa o pagamento mensal de R$ 3,5 milhões por 36 meses — o que resultaria em R$ 129 milhões.
Uma cópia digitalizada do contrato entre o banco e o escritório de advocacia foi apreendida no celular do dono do Master, Daniel Vorcaro. Já os documentos da Receita, segundo a apuração, indicam que ao menos parte dos valores previstos foi efetivamente paga.
Relator aponta complexidade e impacto institucional do caso
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que os números expõem a complexidade da investigação envolvendo o Banco Master.
Esse é o tamanho do problema que está no colo de nós, senadores, no nosso colo, e que chama a atenção dos brasileiros tanto quanto o impacto dos combustíveis, porque este é um problema, senador Davi [Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado], que afeta o alicerce da democracia, que é a credibilidade das instituições
Alessandro Vieira (MDB-SE)
De acordo com Vieira, os valores recebidos pelo escritório de Viviane chegam a R$ 80 milhões, o que condiz com o período em que ela declarou ter atuado para o Master.
Escritório diz ter atuado por 22 meses e apresentado pareceres e reuniões
No mês passado, o escritório divulgou detalhes do que estava previsto no contrato e afirmou que os serviços foram prestados entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, totalizando 22 meses.
Segundo a nota, a equipe teria produzido 36 pareceres com consultoria e atuação jurídica, com participação de 15 advogados. O escritório também informou a realização de 94 reuniões de trabalho, sendo 79 presenciais na sede do banco, com duração aproximada de três horas e voltadas a questões jurídicas e ao desenvolvimento do objeto do contrato.
Patrimônio inclui mansão no Lago Sul e imóveis em Campos do Jordão
A família do ministro Alexandre de Moraes tem em seu patrimônio uma mansão de 725 m² no Lago Sul, área nobre de Brasília. O imóvel foi adquirido por R$ 12 milhões e pago à vista, segundo documentos públicos de cartórios aos quais o Metrópoles, por meio da coluna de Igor Gadelha, teve acesso em setembro de 2025.
A compra foi realizada por meio do Lex – Instituto de Estudos Jurídicos Ltda., empresa da qual a advogada Viviane Barci é sócia, junto aos três filhos do casal. O instituto, segundo a reportagem, possui outros imóveis da família.
Em março do ano passado, a empresa desembolsou R$ 4 milhões para comprar um apartamento duplex de 365 m² em Campos do Jordão (SP), com seis vagas de garagem e cinco suítes. Um imóvel idêntico no mesmo prédio e com a mesma metragem havia sido anunciado por R$ 7 milhões.
Esse foi o segundo imóvel da família Moraes no mesmo edifício. Em 2014, a Lex Instituto de Estudos Jurídicos comprou o apartamento ao lado, de 362,6 m², também por R$ 4 milhões. As duas unidades foram vendidas pela construtora Poiano Lopes Ltda, conforme documentos obtidos pelo Metrópoles.