Galípolo diz à CPI que Lula orientou autonomia técnica no caso Banco Master
Presidente do BC relata reunião no Planalto em 2024 e afirma que liquidação do banco ocorreu após quadro crítico de liquidez e dificuldades de captação com garantia do FGC
08/04/2026 às 15:40por Redação Plox
08/04/2026 às 15:40
— por Redação Plox
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O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (8) que recebeu do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a orientação para atuar com autonomia e foco técnico no caso do Banco Master, sem exageros. A declaração foi feita durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado.
Gabriel Galípolo: "Orientação é para atuar com autonomia e foco técnico no caso do Banco Master."
Foto: Reprodução
Recebi uma orientação: ‘Seja técnico, pois você tem toda autonomia para perseguir e investigar seja quem for, sem fazer pirotecnia’. A orientação sempre foi esta
Gabriel Galípolo
Reunião no Planalto ocorreu antes da posse no BC
Galípolo confirmou aos parlamentares que, em dezembro de 2024, pouco antes de assumir o comando do BC, foi convocado para uma reunião no Palácio do Planalto para tratar da situação do Banco Master. Segundo ele, a instituição já enfrentava problemas de liquidez e dificuldades para continuar captando recursos com garantia do FGC.
Além do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master, participaram do encontro o ex-sócio da instituição e controlador do Banco Pleno, Augusto Lima; os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia); o economista Guido Mantega e o próprio presidente Lula.
Narrativa de “perseguição” foi minimizada
Ao relatar o encontro, Galípolo disse que, quando chegou, a conversa seguia uma narrativa que, segundo ele, estava disseminada e teria sido predominante durante boa parte do ano anterior. Ele afirmou que, na ocasião, Vorcaro foi quem mais falou.
De acordo com o presidente do BC, os acionistas do Master sustentavam a tese de que a instituição enfrentava resistência de outras instituições financeiras por supostamente incomodar concorrentes. Galípolo, porém, minimizou essa versão, ao apontar que o banco não teria tamanho para gerar esse tipo de incômodo.
Resposta de Lula e atuação do Banco Central
Segundo Galípolo, após ouvir os acionistas do banco, Lula teria sido evasivo e indicado que o assunto não caberia à Presidência da República, mas ao Banco Central, onde o caso seria tratado tecnicamente. O presidente do BC afirmou ainda que, depois desse episódio, não voltou ao Planalto para discutir o tema.
Ele também declarou que jamais tratou do caso com o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad nem com o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Liquidação extrajudicial e quadro de liquidez
Em novembro de 2025, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. Galípolo afirmou que, no dia do anúncio, o banco tinha em caixa apenas 10% do valor necessário para pagar os CDBs que venciam na mesma data.
Controlado por Vorcaro, o Master cresceu rapidamente ao oferecer Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) com rentabilidade muito acima da média do mercado. Para sustentar o modelo, segundo investigadores, o banco passou a assumir riscos excessivos e a estruturar operações que inflavam artificialmente seu balanço, enquanto a liquidez real se deteriorava.