Festas de Vorcaro tinham "mulheres de luxo" para autoridades, políticos e executivos
Documentos da PF, entrevistas e registros públicos citam modelos, jatinhos e hotéis de alto padrão em ações de relacionamento; especialistas veem possível vantagem indevida e irregularidades contábeis
São Paulo - SP — Uma apuração baseada em documentos da Polícia Federal, entrevistas e registros públicos indica que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro estruturou uma rede de eventos de alto padrão, com presença de modelos, uso de aeronaves privadas e hospedagens em hotéis de luxo, como parte de sua estratégia de relacionamento com autoridades e executivos.
De acordo com o levantamento, ao menos 20 mulheres participaram desses encontros, sendo 14 com perfis abertos em redes sociais. Entre elas, havia estrangeiras de países como Rússia, Ucrânia, Lituânia, Holanda, México e Venezuela, além de brasileiras que aceitaram apoio financeiro para permanecer disponíveis durante os eventos. As convidadas procuradas não comentaram o caso.
Mensagens atribuídas a Vorcaro, obtidas em investigações, indicam que ele próprio classificava esse tipo de iniciativa como parte de sua atividade empresarial. Em um diálogo registrado em agosto de 2025, o ex-banqueiro teria afirmado que a realização de festas com esse perfil fazia parte de seu “business”.
Festas de Vorcaro tinham mulheres para as autoridades e políticos
Foto: Reprodução
Relatos de executivos ouvidos na apuração apontam que os encontros seguiam uma estrutura organizada, com planejamento para ocorrer em dias úteis e em paralelo a compromissos oficiais no Brasil e no exterior. O objetivo, segundo essas fontes, era facilitar a presença de autoridades, que normalmente retornam às suas bases nos fins de semana. A defesa de Vorcaro não se manifestou sobre o conteúdo.
A organização dos eventos contava com intermediários. O promotor de eventos Diogo Batista atuava na seleção de modelos e na logística até 2024, quando houve um rompimento com Vorcaro. Parte dessas funções passou para a influenciadora Karolina Trainotti, que recebeu um imóvel de alto valor de empresa ligada ao empresário, também investigada. Ambos não comentaram.
Um dos episódios detalhados ocorreu em Trancoso, em Porto Seguro - BA, em outubro de 2022. A festa foi realizada em uma casa alugada em nome de terceiros e reuniu convidados durante a semana. O evento teve apresentações musicais, performances e decoração temática inspirada na Amazônia. Houve danos à propriedade, posteriormente pagos por Vorcaro.
Segundo documentos analisados, mulheres estrangeiras vieram ao Brasil em voos de primeira classe, permaneceram cerca de um mês no país e se hospedaram em locais de alto padrão, como o hotel Rosewood, em São Paulo - SP, e uma residência no bairro Joá, no Rio de Janeiro - RJ. Já em território nacional, elas utilizaram aeronaves associadas ao empresário para deslocamentos, inclusive até Trancoso, por meio do aeródromo Terravista.
Outro momento de grande mobilização ocorreu na semana do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, em 2023. Nesse período, houve aumento no número de mulheres nos eventos e a realização de uma festa de Halloween com orçamento estimado em US$ 4,5 milhões (cerca de R$ 22,5 milhões à época). A estrutura incluiu transporte internacional, buffet para centenas de convidados, bebidas premium e serviços exclusivos para um grupo VIP, com equipe dedicada de segurança e atendimento.
Além das festas, havia pontos fixos de encontro em São Paulo - SP, como bares montados na sede do banco no Itaim Bibi e no escritório da holding do grupo na avenida Faria Lima. Hotéis como Fasano, Unique e Rosewood também eram utilizados para acomodação e reuniões, com relatos de que quartos teriam sido custeados para convidados, incluindo políticos. Os estabelecimentos não comentaram.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre quais autoridades participaram desses encontros nem sobre a existência de registros comprometedores. Também não foram apresentadas evidências conclusivas sobre a ocorrência de relações sexuais nos eventos.
Especialistas ouvidos na apuração afirmam que, mesmo sem previsão explícita em lei, a oferta de vantagens como serviços sexuais pode ser enquadrada como corrupção, por representar vantagem indevida. Também apontam que despesas dessa natureza podem configurar irregularidades contábeis.
Há ainda preocupação quanto às condições das mulheres envolvidas. Juristas destacam que, embora a prostituição entre adultos não seja crime, a eventual participação de menores caracterizaria infrações graves. Caso seja comprovado que houve exploração para obtenção de benefícios, outras tipificações penais podem ser aplicadas.
O caso segue sem conclusão definitiva e depende do avanço das investigações para esclarecer responsabilidades, alcance das práticas e eventuais consequências legais.
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