Inteligência artificial pode ser ferramenta de ensino, mostra estudo

A pesquisa, parte da 14ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil, foi conduzida entre os dias 18 e 31 de março de 2024, entrevistando 444 professores de escolas públicas e privadas de todas as regiões do país

Por Plox

08/05/2024 08h16 - Atualizado há cerca de 1 mês

Um estudo recente realizado pelo Instituto Semesp, que representa mantenedoras de ensino superior, revelou que a maioria dos professores da educação básica no Brasil apoia o uso de tecnologia e inteligência artificial como ferramentas pedagógicas. A pesquisa, parte da 14ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil, foi conduzida entre os dias 18 e 31 de março de 2024, entrevistando 444 professores de escolas públicas e privadas de todas as regiões do país.

Foto: Reprodução/Freepik

De acordo com os resultados, 74,8% dos docentes apoiam, em algum grau, a incorporação de tecnologia no ambiente educativo. No entanto, apenas 39,2% utilizam essas ferramentas consistentemente em suas práticas pedagógicas. Os professores reconhecem os benefícios, como o acesso acelerado à informação, mas também apontam para desafios significativos, incluindo a falta de infraestrutura adequada como internet de qualidade e a necessidade de treinamento especializado para o uso efetivo das tecnologias.

Além das barreiras estruturais, o estudo aponta para uma preocupação com o impacto comportamental nos alunos. Um dos docentes destacou que "os alunos ficaram mais dependentes de ferramentas de pesquisa e respostas imediatas e têm dificuldade de ter resiliência, paciência e atuar solucionando problemas". Outro problema mencionado é o descompasso entre a rapidez com que os alunos adotam novas tecnologias e a velocidade de integração dessas ferramentas nas práticas escolares, o que pode prejudicar a dinâmica de aprendizado.

O acesso à tecnologia ainda é um problema para muitos, com apenas 45,7% dos professores relatando que tanto eles quanto os alunos têm bom acesso a recursos tecnológicos. A pesquisa também mostrou que 7% dos educadores afirmam que suas escolas ainda não possuem acesso a essas ferramentas.

O Semesp, através do Mapa do Ensino Superior, também investigou as aspirações profissionais dos jovens brasileiros. A área de computação e tecnologias da informação e comunicação é a mais popular, seguida por carreiras na saúde e bem-estar. A pesquisa destaca a importância de iniciativas como o programa Pé-de-Meia do governo federal, que visa incentivar a continuidade dos estudos entre jovens de baixa renda por meio de uma espécie de poupança.

Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp, defende a colaboração entre instituições de ensino superior privadas e o programa Pé-de-Meia, propondo a inclusão de cursos técnicos como uma forma de reduzir a evasão escolar e familiarizar os estudantes com o ambiente universitário. "Isso pode ajudar a diminuir ainda mais a evasão. Acho que o Pé-de-Meia vai ser um grande estimulador disso", afirma Capelato.

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