OMS confirma casos de hantavírus ligados ao cruzeiro MV Hondius; passageiros serão avaliados na Espanha
Ao todo, são cinco casos associados à embarcação e outro registrado fora do navio, após viagem com passagem por países da América do Sul e atividades em áreas com circulação do “vírus dos Andes”.
08/05/2026 às 10:38por Redação Plox
08/05/2026 às 10:38
— por Redação Plox
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A confirmação de casos de hantavírus associados ao cruzeiroMV Hondius colocou autoridades de saúde em alerta e gerou preocupação em diferentes países. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cinco casos foram ligados à embarcação e outro foi registrado fora do navio.
'Vírus do rato': especialista explica se o hantavírus pode causar uma nova pandemia (
Foto: Freepik)
O episódio reacendeu dúvidas sobre a doença conhecida popularmente como “vírus do rato” e sobre o risco real de um cenário de disseminação global.
Casos foram associados a roteiro pela América do Sul
De acordo com a OMS, os dois primeiros pacientes confirmados passaram por Argentina, Chile e Uruguai antes do embarque no cruzeiro.
Ainda segundo o órgão, os passageiros participaram de atividades de observação de pássaros em áreas onde circula o chamado “vírus dos Andes”, uma variante do hantavírus encontrada na América do Sul.
Até o momento, os demais ocupantes da embarcação não apresentaram sintomas. Mesmo assim, equipes de saúde devem avaliar os passageiros assim que o navio chegar à Espanha.
O que é o hantavírus e como ocorre a transmissão
Em entrevista ao portal Bacci Notícias, o médico emergencialista Dr. Yuri Castro Santos explicou que o hantavírus é uma zoonose viral grave transmitida principalmente por roedores silvestres infectados.
O hantavírus é uma zoonose viral grave causada por vírus da família Bunyaviridae. Nas Américas, a forma mais comum é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, que apresenta altas taxas de letalidade
Dr. Yuri Castro Santos
Segundo o especialista, a transmissão ocorre principalmente pela inalação de partículas contaminadas em ambientes fechados.
Ele detalhou que a principal via de infecção envolve aerossóis gerados quando urina, fezes ou saliva de roedores secos se misturam à poeira e são aspirados por humanos.
Hantavírus é transmitido principalmente por partículas contaminadas de urina, saliva e fezes de roedores silvestres infectados.
Foto: Reprodução/ Redes sociais.
Como evitar a contaminação
O médico destaca que não existe vacina amplamente disponível contra a doença e, por isso, a prevenção depende sobretudo de cuidados ambientais.
Entre as principais orientações citadas estão evitar acúmulo de lixo, entulho e alimentos que atraiam roedores, ventilar ambientes fechados antes da limpeza, não varrer a seco locais com poeira acumulada e utilizar água sanitária ou soluções com hipoclorito para higienização.
O especialista também alertou que, ao limpar locais fechados há muito tempo, o ideal é umedecer o ambiente antes para reduzir a dispersão de partículas no ar.
De acordo com Dr. Yuri, ainda não existe um antiviral específico com eficácia comprovada para casos graves de hantavírus.
Risco de pandemia é considerado baixo, segundo especialistas
Apesar da preocupação gerada pelos casos no cruzeiro, especialistas apontam que o risco de o hantavírus se transformar em uma pandemia global é considerado baixo. Dr. Yuri afirmou que isso ocorre porque o vírus não apresenta transmissão sustentada entre humanos no cenário atual.
Segundo ele, para se tornar uma ameaça pandêmica, o hantavírus precisaria passar por mutações significativas e desenvolver transmissão eficiente de pessoa para pessoa, especialmente por via respiratória.
OMS diz que quadro não se compara ao da Covid-19
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reforçou que o risco global à saúde pública segue baixo.
Já Maria Van Kerkhove, diretora de gestão de epidemias e pandemias da organização, afirmou que o cenário atual não deve ser comparado ao da Covid-19. Segundo ela, o hantavírus tem características diferentes e apresenta transmissão humana limitada.
A própria OMS reforça que a principal forma de contágio segue sendo o contato indireto com secreções de roedores infectados.