Saques na poupança superam depósitos em R$ 41,7 bilhões até abril, diz BC

Dados do Banco Central mostram retirada líquida no acumulado de janeiro a abril e queda do estoque aplicado para R$ 1 trilhão, em um cenário de endividamento elevado e maior atratividade de outros investimentos com a Selic em 14,5% ao ano.

08/05/2026 às 09:47 por Redação Plox

As retiradas de recursos das cadernetas de poupança superaram os depósitos em R$ 41,7 bilhões de janeiro a abril, informou nesta sexta-feira (8) o Banco Central (BC).

A evasão de recursos da modalidade mais tradicional de investimento do país ocorre em meio à alta no endividamento e à baixa atratividade da poupança frente a outras opções de aplicação financeira.


Notas, moeda, Real, dinheiro, notas de dinheiro.

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Foto: Reprodução/Pixabay


Retiradas superam depósitos no início do ano

Na parcial deste ano, segundo dados do Banco Central, os depósitos somaram R$ 1,39 trilhão, enquanto as retiradas totalizaram R$ 1,43 trilhão.

O movimento de saída de recursos não é novidade. Nos quatro primeiros meses de 2025, a poupança registrou evasão ainda maior: R$ 52,1 bilhões.

Somente em abril deste ano, a retirada líquida de valores da poupança foi de R$ 476 milhões.

Com o resultado acumulado, o estoque — isto é, o volume total aplicado — recuou. Em dezembro de 2025, estava em R$ 1,02 trilhão e caiu para R$ 1 trilhão no fim de abril.

Endividamento pressiona orçamento das famílias

Dados divulgados nos últimos dias pela Serasa Experian indicam que 82,8 milhões de brasileiros estavam endividados em março, o equivalente a 49% da população brasileira.

Nesse contexto, o governo lançou um novo programa para reduzir as dívidas da população, em uma iniciativa adotada em ano eleitoral.

O Desenrola 2.0 é voltado para brasileiros endividados com o sistema bancário que têm renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105.

O programa também prevê a possibilidade de o trabalhador usar 20% do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), ou até R$ 1 mil (o que for maior), para quitar parcial ou integralmente dívidas.

Segundo a Serasa, 47% dos débitos dos brasileiros em março — que somaram R$ 557,7 bilhões — estão concentrados justamente em instituições financeiras, foco do Desenrola 2.0.

Poupança perde espaço para outras aplicações

Ao mesmo tempo, a caderneta de poupança tem mostrado pouca competitividade na comparação com outras alternativas.

Pelas regras vigentes, quando a taxa Selic supera 8,5% ao ano, o rendimento da poupança fica em 0,5% ao mês, mais a variação da taxa referencial (TR), calculada pela média ponderada dos títulos públicos prefixados.

Com os juros básicos ainda elevados, em 14,5% ao ano, aplicações de renda fixa — como títulos públicos, papéis de empresas e investimentos atrelados ao CDI — têm apresentado desempenho superior.

Já investimentos mais arriscados, como a renda variável, também mostraram recuperação em 2025. No ano passado, o índice da Bolsa de Valores de São Paulo avançou 34%, o maior ganho anual desde 2016.

Neste ano, o Ibovespa segue em alta, com avanço acumulado de 13,7%, com o Brasil se destacando em meio à guerra no Oriente Médio. O dólar, por sua vez, registrou queda de 10,3% na parcial de 2026.

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