Simões denuncia cobrança abusiva da União em dívida de Minas

Vice-governador critica exigências federais no Propag e afirma que estado está sendo forçado a entregar patrimônio

08/06/2025 às 12:43 por Redação Plox

Durante uma entrevista exclusiva concedida ao jornal Estado de Minas, o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, não poupou palavras ao se referir à cobrança da dívida do estado com a União. Segundo ele, o governo federal está, literalmente, “roubando” Minas Gerais por meio de exigências do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), que prevê, entre outras condições, a entrega de imóveis e estatais como parte da quitação de uma dívida que já soma R$ 170 bilhões.


Imagem Foto: Reprodução

Simões ressaltou que o Propag representa uma alternativa mais vantajosa que o atual Regime de Recuperação Fiscal (RRF), principalmente por prever juros menores a longo prazo. “Com o RRF, os juros são de 4% ao ano, enquanto no Propag são de apenas 2%”, explicou. Ainda assim, ele criticou severamente a exigência de repassar ativos do estado ao governo federal, classificando a prática como uma forma de espoliação.


Durante a conversa, ele se mostrou incomodado com a resistência de setores petistas à inclusão de determinados imóveis no pacote de ativos, como o Palácio das Artes e o colégio Estadual Central. “O secretário de Cultura não precisa ser consultado sobre isso”, afirmou, alegando que a gestão desses bens é uma decisão administrativa do núcleo central do governo.


Questionado sobre o impacto da proposta nas eleições de 2026, Simões minimizou. Para ele, o tema não será explorado negativamente, já que o autor do Propag é o próprio senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), possível adversário político e nome apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


“Eu não estou entregando nada porque quero. Eu estou sendo tomado. Estou sendo literalmente violentado publicamente pelo Governo Federal que está me tomando as coisas”, disparou Simões

Segundo o vice-governador, o problema maior reside na postura da equipe federal, que ainda não conseguiu viabilizar a avaliação de ativos como exige o decreto do programa. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável por esse processo, afirmou que precisaria de pelo menos nove meses para concluir as análises. Com isso, o governo mineiro tenta junto ao Ministério da Fazenda uma flexibilização do decreto, que permita a entrega formal dos ativos até outubro, mas com a avaliação sendo concluída em 2026.


Ele ainda defende que o estado apresente ativos que superem os 20% da dívida exigidos, garantindo uma “gordura” para investimentos obrigatórios em infraestrutura — cerca de R$ 1,7 bilhão por ano. Simões diz que, apesar da oposição petista criticar a estratégia, eles não propõem nenhuma solução concreta: “Eles não podem votar contra o próprio programa, então criam tumulto político antes da votação”.


Ao abordar a relação com o governo federal, Simões endureceu ainda mais o tom: “Lula é um câncer para o país”, disse. Reafirmou que a entrega de ativos é uma imposição legal e que o estado está acuado. Disse também que não há margem para conciliação diante da postura que atribui ao PT de querer prejudicar economicamente o estado para retomar o poder.


Mesmo com críticas duras ao cenário nacional, Simões adota uma postura mais conciliadora em âmbito estadual. Ele citou o exemplo do Hospital de Divinópolis, cuja solução foi construída em parceria com a oposição. “O problema aqui não é a convivência política, é o discurso distorcido que diz que estamos entregando patrimônio voluntariamente”, afirmou.


Ao final, destacou que os projetos enviados à Assembleia — incluindo os que envolvem Cemig e Copasa — devem ser avaliados como parte de um conjunto, um quebra-cabeça que só se encaixa com todas as peças. Simões garante que não há interesse em federalizar mais do que os 20% exigidos. “Se o PT conseguir fazer o BNDES garantir que só a Codemig vale esse percentual, não vejo problema em retirar os demais”, concluiu.


A entrevista reforça que, embora o Propag seja a alternativa mais benéfica diante das opções postas, a forma como está sendo conduzido e as exigências feitas pelo governo federal criam um embate político e administrativo que deverá se intensificar com a proximidade das eleições.


Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a