Implantação da CORE/MG volta a ser debatida em Juiz de Fora após queixas de demora no SUS

Audiência pública na Câmara Municipal reuniu relatos sobre consultas, exames, internações e transferências; Prefeitura diz que recebeu cerca de 1.500 pacientes em pouco mais de 40 dias e abriu tratativas com o Estado, além de acionar a Justiça.

08/07/2026 às 11:01 por Redação Plox

A implantação da Central de Regulação do Estado de Minas Gerais, a CORE/MG, voltou a gerar debate em Juiz de Fora, na Zona da Mata, durante audiência pública realizada nessa terça-feira (7), na Câmara Municipal. O sistema, criado pelo Governo de Minas para organizar a distribuição de vagas hospitalares e transferências de pacientes entre unidades do SUS, tem sido alvo de reclamações de usuários e profissionais da saúde.


Implantação da CORE/MG volta a ser debatida em Juiz de Fora após queixas de demora no SUS

Foto: Divulgação/PJF

Município relata impacto na rede

Durante a reunião, o secretário municipal de Saúde, Jonathan Ferreira Tomaz, afirmou que Juiz de Fora recebeu cerca de 1.500 pacientes em pouco mais de 40 dias de implantação da plataforma, além de outros encaminhamentos feitos por uma regulação paralela. Segundo ele, o aumento teria prejudicado o planejamento dos leitos na cidade e afetado também a região.

O secretário disse que os mesmos leitos usados para pacientes de emergência passaram a disputar espaço com procedimentos eletivos, o que teria provocado pressão sobre a rede municipal. Ainda conforme Jonathan, a Prefeitura iniciou tratativas administrativas com o Estado e também levou o caso à Justiça.

Reclamações aumentaram

A ouvidora municipal de Saúde, Maria da Penha Silva, afirmou que o tempo para transferência de pacientes ficou maior após a implantação do novo sistema. Segundo ela, as famílias que procuram atendimento relatam mais demora no processo, e as reclamações recebidas pela Ouvidoria Municipal de Saúde cresceram 10%.

A Câmara Municipal informou que a audiência foi motivada por queixas relacionadas à demora para consultas, exames, internações, transferências, falta de informações sobre filas de espera e dificuldades de comunicação entre unidades de saúde e a regulação. O Legislativo também havia convocado e convidado representantes da Prefeitura, Estado, Ministério Público, Defensoria Pública, hospitais, conselhos profissionais e entidades ligadas à saúde.

Estado defende plataforma

Em nota enviada à Itatiaia, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais informou que, conforme dados extraídos da plataforma nessa terça-feira (7), aproximadamente 80% dos pacientes internados na microrregião de Juiz de Fora são moradores da própria localidade. A pasta também afirmou que 99,49% dos pacientes foram internados na macrorregião de saúde onde residem.

A SES-MG destacou que Juiz de Fora é polo regional de referência em média e alta complexidade e, por isso, recebe pacientes de outros municípios conforme a organização assistencial da macrorregião. A secretaria informou ainda que mantém diálogo com gestores locais, hospitais e instituições envolvidas para avaliar fluxos, inconsistências e demandas relacionadas ao uso da plataforma.

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