Juliana Prates Caminha homenageia o irmão e alerta sobre vício em apostas online

Otacílio Prates morreu em dezembro de 2025, e a família afirma ter descoberto a dependência apenas após a morte, com dívidas de pelo menos R$ 1,5 milhão ainda em apuração.

08/07/2026 às 08:40 por Redação Plox

A advogada e auditora Juliana Prates Caminha voltou a usar as redes sociais, nesta terça-feira (7), para homenagear o irmão, Otacílio Prates, no dia em que ele completaria mais um ano de vida. 


Irmã de auditor morto após vício em bets transforma homenagem de aniversário em alerta contra apostas online.

Foto: Reprodução/FRAME VIDEO


No texto, ela afirmou que o irmão

não era uma estatística
, mas uma pessoa marcada pela alegria dentro da família, e disse que seguirá atuando contra os impactos do vício em apostas online

A dor que virou denúncia

Otacílio Prates, também auditor, morreu em dezembro de 2025, aos 46 anos. Segundo relato de Juliana em entrevista ao UOL, a família só descobriu a dependência em apostas online após a morte dele.

A dívida associada ao período de apostas, de acordo com a família, chegou a pelo menos R$ 1,5 milhão, valor que ainda era apurado por causa do surgimento de novos débitos.  


Auditora tem usado a própria história para cobrar mais proteção às famílias, maior responsabilidade das plataformas.

Foto: Reprodução/FRAME VIDEO


 


Antes de saber da relação com as bets, a família acreditava que os problemas financeiros de Otacílio estavam ligados a prejuízos com investimentos, como bolsa de valores e criptomoedas.

Juliana relatou que o irmão passou a pedir dinheiro com frequência, ficou mais isolado, ansioso e preso ao celular, sinais que só depois foram associados ao comportamento compulsivo relacionado às apostas.

Todo choro será convertido em luta

Na homenagem publicada no aniversário de Otacílio, Juliana disse que as plataformas de apostas

tiraram
o irmão da família e deixaram uma ferida diária.

Ela afirmou que decidiu transformar o luto em luta para evitar que outras mães, irmãs e esposas, na Bahia e no Brasil, passem pela mesma dor.

A auditora tem usado a própria história para cobrar mais proteção às famílias, maior responsabilidade das plataformas e políticas públicas voltadas à prevenção da ludopatia


Em publicações anteriores, ela já havia defendido que o vício em apostas seja tratado como questão de saúde pública, sem estigmatizar quem adoece.

Apostas, saúde mental e proteção ao usuário

O Ministério da Fazenda define o jogo problemático como comportamento compulsivo ou prejudicial relacionado ao jogo, capaz de afetar a saúde mental, emocional e financeira dos apostadores.

A pasta também aponta riscos como endividamento excessivo, isolamento social, conflitos familiares e necessidade de medidas de prevenção.

No dia 3 de julho, o governo federal anunciou uma plataforma centralizada de autoexclusão para que usuários possam bloquear, de uma só vez, o acesso a sites de apostas autorizados.

Segundo o Ministério da Fazenda, o cadastro impede novas contas com o CPF informado, bloqueia contas ativas e pode impedir publicidade direcionada de bets.

As operadoras têm até 72 horas para cumprir o bloqueio.

Pessoas em sofrimento emocional podem buscar apoio gratuito no Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188, com atendimento 24 horas.

Também é possível procurar unidades de saúde, CAPS e serviços da rede pública para acolhimento e acompanhamento em saúde mental.

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