Homem é acusado de furto, espancado e diz ter sofrido injúria racial em supermercado mineiro

A vítima foi levada com lesão no olho e vários hematomas para o hospital. As agressões só teriam cessado após concluírem que ele não havia furtado

Por Plox

08/12/2020 16h31 - Atualizado há mais de 4 anos

Três homens são acusados de agredirem violentamente outro homem, de 28 anos, que estaria sob a suspeita de cometer um furto em um supermercado no município de Várzea de Palma, no norte de Minas Gerais. 

De acordo com o relato da vítima à Polícia Militar, além das agressões, que só cessaram após concluírem que ele não havia praticado o furto, ele também teria sido vítima de injúria racial pelos agressores. 

Uma mulher que filmava a abordagem foi impedida de continuar com as gravações por outro funcionário do estabelecimento. Nas imagens que foram difundidas nas redes sociais, é possível ouvir que a pessoa que estava filmando relembra o caso do Carrefour, em que Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi espancado até a morte por seguranças em Porto Alegre-RS. 

À Policia Militar, o jovem relatou que realizava compras no supermercado quando um funcionário o abordou no caixa, mandando que ele levantasse o pé para verificar se a bota que ele estava usando não teria sido furtada no estabelecimento. 

Foto: Reprodução/Facebook



A vítima contou que disse ao funcionário que não levantaria o pé e que a bota havia sido comprada em outro supermercado da cidade. Diante da recusa, a vítima contou a polícia que três funcionários do mercado teriam o agarrado e arrastado para um “quarto” nos fundos do supermercado, onde teriam o agredido com socos na barriga, cabeça e no rosto. O prontuário médico apontou que a vítima estava com vários hematomas pelo corpo, além de uma lesão no olho esquerdo. 

De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima contou também que foi agredido e permaneceu no quarto por cerca de uma hora, até que um outro funcionário fosse até o outro supermercado e concluísse que a bota que ele usava não havia sido furtada. Além das agressões físicas, a vítima também disse que foi chamada de “negro ladrão” por um dos agressores. 

A vítima contou à PM que, após a constatação de que ele não havia cometido o crime, o gerente do supermercado teria oferecido as compras que ele tentava pagar no caixa como “recompensa” e como pedido de desculpas. 

Segundo um jornal da Grande BH, um dos funcionários do hospital foi atendido no mesmo hospital em que a vítima foi levada, apresentando uma fratura na mão esquerda.

À PM, o gerente do supermercado disse que houve apenas uma luta corporal entre esse funcionário e a vítima. 

Foto: Reprodução/Facebook



Em uma filmagem, publicada em um grupo do Facebook, a vítima aparece em uma maca hospitalar, dizendo que estava “no pronto-socorro”, se “recuperando das lesões causadas devido um tratamento com racismo”. “Espero que não fique sequela nenhuma, a situação ‘tá’ um pouco triste”, disse a vítima no vídeo. 

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