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Economia
Acordo Mercosul-União Europeia pode elevar PIB do Brasil em 0,46% até 2040, aponta Ipea
Estudo projeta ganho de US$ 9,3 bilhões para a economia brasileira, expansão de investimentos e saldo positivo na balança comercial, com agronegócio em alta e pressão sobre setores industriais
09/01/2026 às 12:43por Redação Plox
09/01/2026 às 12:43
— por Redação Plox
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O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia tem potencial para impulsionar o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil em 0,46% até 2040, o que representa aproximadamente US$ 9,3 bilhões, de acordo com estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
26.03.2024—Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião bilateral com o Presidente da República Francesa, Emmanuel Macron, na Baía do Guajará. Belém
Foto: PA. Foto: Ricardo Stuckert / PR
O levantamento, realizado no início de 2024, indica que o Brasil teria um ganho relativo maior do que a União Europeia. Enquanto a economia brasileira avançaria 0,46% com o tratado, o PIB do bloco europeu cresceria 0,06% no mesmo horizonte. Para os demais países do Mercosul, a projeção é de alta de 0,2%.
Projeções com base em dados do FMI
Para chegar aos resultados, os autores do estudo utilizaram como referência dados históricos e projeções de PIB do FMI (Fundo Monetário Internacional) para os anos de 2014 e 2026. A partir desse cenário, foram simulados os efeitos da implementação do acordo entre os dois blocos.
Impacto sobre investimentos
O Ipea também aponta que o tratado teria efeito positivo relevante sobre os investimentos no Brasil. A expectativa é de um crescimento de 1,49% em relação a um cenário sem acordo, um desempenho considerado mais favorável do que o projetado para os parceiros.
No caso da União Europeia, o aumento estimado dos investimentos é de 0,12%. Já os demais países do Mercosul registrariam expansão de 0,41% nesse indicador, ainda abaixo do observado para a economia brasileira.
Efeitos na balança comercial
Na balança comercial, o estudo projeta que o Brasil teria um ganho de US$ 302,6 milhões com o acordo, impulsionado principalmente pelas reduções tarifárias e pela concessão de cotas de exportação. Os demais países do Mercosul também seriam beneficiados, com alta de US$ 169,2 milhões.
Para a União Europeia, porém, o cenário é de perda comercial estimada em US$ 3,44 bilhões. Segundo o Ipea, essa diferença reflete a abertura maior do mercado europeu a produtos de países do Mercosul, especialmente no setor agropecuário.
Vantagens para o agronegócio do Mercosul
Uma das principais vantagens para o Mercosul está na redução de tarifas sobre produtos agrícolas. As tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários exportados para a União Europeia seriam eliminadas, o que reforça a competitividade do bloco nesse segmento.
Os maiores beneficiados seriam produtores de carnes suína e de frango, pecuária bovina, além de exportadores de frutas e vegetais, que ganhariam acesso ampliado e com menos barreiras ao mercado europeu.
Setores brasileiros mais vulneráveis
O estudo também aponta setores que tendem a ser negativamente afetados pela maior abertura comercial. Entre as áreas mais expostas à concorrência europeia estão equipamentos elétricos, máquinas e equipamentos, produtos farmacêuticos, têxteis e produtos metalúrgicos.
Esses segmentos industriais brasileiros podem enfrentar perda de participação no mercado interno e maior competição de bens importados, caso o acordo entre em vigor nos termos atualmente projetados pelo Ipea.