Saúde

Hospital Márcio Cunha realiza primeiro implante de marca-passo com eletrodo fisiológico

Procedimento inédito na instituição corrige dessincronia cardíaca em paciente de 35 anos e reforça referência em alta complexidade em Minas Gerais

09/01/2026 às 11:36 por Redação Plox

O Hospital Márcio Cunha (HMC) deu um passo importante na assistência cardiológica ao realizar, pela primeira vez, o implante de marca-passo com eletrodo fisiológico. A técnica, mais moderna e alinhada ao funcionamento natural do coração, representa um avanço no cuidado de pacientes que dependem de estimulação cardíaca contínua e reforça o compromisso da instituição com inovação, segurança e qualidade de vida.


Equipe médica

Equipe médica

Foto: Divulgação


Equipe especializada e capacitação contínua

O procedimento, realizado no último mês, contou com a participação do cardiologista eletrofisiologista Raphael Diniz e da cardiologista arritmologista e eletrofisiologista Thatiane Ticom, ambos do Hospital Márcio Cunha. A condução foi do cardiologista Rafael Pires, formado em São Paulo, com especialização em arritmia, eletrofisiologia e implante de marca-passos, que atua em São Paulo e Muriaé.

Ele participou como proctor, responsável por auxiliar e capacitar a equipe durante o procedimento, em um processo que envolve tempo, treinamento e troca de conhecimento para que o hospital passe a realizar esse tipo de implante de forma independente.

Implante fisiológico e benefício direto ao coração

A paciente beneficiada foi Jaqueline Fideles, 35 anos, moradora de Iapu. Ela nasceu com bloqueio atrioventricular total, condição em que há falha na comunicação elétrica entre os átrios e os ventrículos do coração.

Diferentemente do marca-passo convencional, o modelo com eletrodo fisiológico permite que a estimulação elétrica siga um trajeto o mais próximo possível do sistema natural de condução cardíaca, promovendo uma contração mais sincronizada e eficiente. O objetivo é preservar a função do coração ao longo do tempo, trazendo mais disposição, menor risco de insuficiência cardíaca, menos necessidade de medicamentos e recuperação mais rápida.

O procedimento é feito por meio do implante de um eletrodo especial, posicionado de forma estratégica após cuidadoso mapeamento do sistema elétrico cardíaco – uma técnica que exige alto grau de especialização.

Equipe médica

Equipe médica

Foto: Divulgação


Reversão de quadro após marca-passo convencional

No caso de Jaqueline, o novo implante foi decisivo. Em fevereiro de 2024, ela havia recebido um marca-passo convencional e, desde então, passou a apresentar piora importante da função cardíaca. Exames de ressonância magnética e ecocardiograma com strain mostraram que a estimulação anterior estava causando dessincronia no coração.

Com o eletrodo fisiológico, foi possível corrigir essa desorganização elétrica, permitindo que o coração recupere força e volte a funcionar de forma mais harmoniosa.


Equipe médica

Equipe médica

Foto: Divulgação


Tecnologia em expansão e indicação ampla

A estimulação fisiológica começou a ser utilizada no Brasil por volta de 2021 e vem ganhando espaço pelos benefícios clínicos em longo prazo. Segundo os especialistas, o eletrodo fisiológico pode ser indicado para praticamente todos os pacientes com perspectiva de dependência futura de marca-passo, sem necessidade de aguardar uma piora clínica para intervir.

Quando já se sabe que o paciente precisará de estimulação contínua, é possível optar desde o início por essa tecnologia, oferecendo uma solução mais completa e protetora para o coração.

Um novo começo para a paciente

Para Jaqueline, o procedimento representa um recomeço. Ela relata que sempre teve receio em relação ao marca-passo, mas a descoberta da técnica mais moderna e menos invasiva trouxe esperança e a perspectiva de ter uma vida normal, com o coração recebendo os estímulos de forma adequada e uma recuperação considerada tranquila.

Ela também destaca o acolhimento recebido desde o primeiro atendimento, a atenção contínua da equipe médica e de enfermagem e o suporte durante toda a internação, incluindo o período da cirurgia. A paciente enfatiza o empenho de todos para viabilizar o procedimento e afirma que o resultado devolveu sua qualidade de vida.


Paciente Jaqueline

Paciente Jaqueline

Foto: Divulgação


Referência em alta complexidade

A realização do procedimento inédito consolida o Hospital Márcio Cunha como referência em alta complexidade e evidencia a busca permanente por novas tecnologias e capacitação profissional, sempre com foco em oferecer tratamentos mais eficazes, seguros e alinhados ao que há de mais moderno na medicina.

Hospital Márcio Cunha

Com 60 anos de atuação, o Hospital Márcio Cunha é um hospital geral de alta complexidade, com 558 leitos e três unidades, sendo uma exclusiva para tratamento oncológico. Atende mais de 1,6 milhão de habitantes de 87 municípios de Minas Gerais e conta com cerca de 500 médicos em 58 especialidades.

A instituição oferece serviços em ambulatório, pronto-socorro, medicina diagnóstica, ensino e pesquisa, terapia intensiva adulta, pediátrica e neonatal, urgência e emergência, terapia renal substitutiva, alta complexidade cardiovascular, oncologia adulta e infantil, entre outras áreas.

No último ano, foram realizados cerca de 5.200 partos, aproximadamente 36 mil internações, mais de 18 mil cirurgias e mais de 60 mil sessões de hemodiálise. Na unidade de oncologia, foram feitas mais de 18 mil sessões de radioterapia e cerca de 33 mil sessões de quimioterapia.

O HMC foi o primeiro hospital do país a receber acreditação em nível de excelência (ONA III), pela Organização Nacional de Acreditação. Também está classificado pela revista Newsweek entre as melhores unidades hospitalares do Brasil, ocupando a 6ª posição em Minas Gerais e a 27ª no país.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a