Após morte de Rodrigo Castanheira, MP avalia mudar enquadramento do crime cometido por piloto

Pedro Arthur Turra Basso está preso preventivamente no CDP da Papuda; Rodrigo Castanheira, de 16, morreu 16 dias após sofrer traumatismo craniano em briga registrada em 23 de janeiro

09/02/2026 às 08:14 por Redação Plox

O piloto Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, foi identificado como o autor da agressão que levou à morte do adolescente Rodrigo Castanheira, de 16 anos, após uma briga motivada por um chiclete. Inicialmente preso em flagrante e liberado após pagamento de fiança de R$ 24,3 mil, ele teve a prisão preventiva decretada dias depois pela Justiça.

O adolescente Rodrigo Castanheira morreu 16 dias após ser agredido pelo piloto Pedro Arthur Turra Bassos após uma briga por chiclete

O adolescente Rodrigo Castanheira morreu 16 dias após ser agredido pelo piloto Pedro Arthur Turra Bassos após uma briga por chiclete

Foto: Reprodução/TV Globo

Atualmente, Pedro Turra está detido no Centro de Detenção Provisória (CDP) da Papuda, em cela individual, após relatar ameaças dentro da unidade. Segundo a defesa, ele estaria abatido e preocupado com a família, a namorada e amigos.

Rodrigo foi agredido em 23 de janeiro, em Vicente Pires, e levou uma sequência de socos. Ele caiu e bateu a cabeça na porta de um carro, sofrendo traumatismo craniano. Chegou a ter uma parada cardiorrespiratória de 12 minutos e foi levado a um hospital particular em Águas Claras, onde permaneceu em coma induzido desde a madrugada do dia da agressão. Ele morreu 16 dias depois, neste sábado (7).

Em nota, o Hospital Brasília Águas Claras informou que, “apesar de todos os esforços da equipe médica”, o quadro evoluiu para perda completa e irreversível das funções cerebrais, confirmando o diagnóstico de morte encefálica do paciente.

Família da vítima fala em ‘maldade revoltante’

O advogado da família de Rodrigo Castanheira, Albert Halex, divulgou manifestação nas redes sociais em que classificou como inadmissível a forma como o adolescente foi morto. Para ele, o caso expõe uma “maldade que nos revolta profundamente” e envolve pessoas que se comportam como “donas do mundo”, tomadas por sensação de poder e impunidade.

Halex afirmou que o episódio representa um ataque à própria ideia de humanidade e ressaltou que a vida humana não pode ser tratada como algo descartável. Ele também disse que a atuação da acusação no caso vai além do tribunal, como um compromisso em buscar que a Justiça imponha limites a quem acredita poder tudo.

Defesa do piloto diz que família lamenta morte e fala em arrependimento

A defesa de Pedro Turra divulgou nota em que afirma que a família do piloto lamenta profundamente a morte de Rodrigo Castanheira e se solidariza com parentes e amigos do adolescente.

Em nome da família de Pedro Turra, com profundo respeito e sincera solidariedade, lamentamos o falecimento de Rodrigo Castanheira.

Neste momento de imensa dor, nos unimos aos pais, familiares e amigos, expressando nossas mais sentidas condolências e desejando que encontrem amparo, conforto e força para atravessar este período de luto.

Defesa de Pedro Turra

De acordo com os advogados, em entrevista inicial após ser levado à Papuda, o piloto demonstrou preocupação com familiares, namorada e amigos. A defesa também relatou que ele manifestou “profundo arrependimento” diante do desfecho do caso, tendo perguntado sobre o estado de saúde de Rodrigo quando o adolescente ainda estava internado.

Os defensores informaram ainda que a ele foram entregues um exemplar do livro “Luz nas Grades”, escrito por um dos advogados, e uma Bíblia, apontados como instrumentos de reflexão, amparo espiritual e força neste período.

Hospital confirma morte encefálica de Rodrigo

Em comunicado oficial, o Hospital Brasília Águas Claras, da Rede Américas, confirmou o diagnóstico de morte encefálica de Rodrigo Castanheira, de 16 anos, neste sábado (7/2). A instituição informou que todos os protocolos estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina foram seguidos e destacou que o quadro evoluiu para perda completa e irreversível das funções cerebrais, apesar das tentativas de recuperação.

O hospital declarou ainda solidariedade aos familiares e amigos do jovem, afirmando prestar todo o suporte necessário neste momento.

Como foi a agressão e o que se sabe sobre a briga

A briga que terminou na morte de Rodrigo ocorreu em 23 de janeiro. Segundo a primeira versão apresentada pela defesa, a confusão teria começado depois que Pedro Turra jogou um chiclete mascado na direção de outra pessoa. Posteriormente, o advogado do piloto afirmou que ciúmes também poderiam ter motivado a agressão. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do caso.

Imagens mostram jovens trocando socos e murros em Vicente Pires. Em meio à confusão, Rodrigo foi atingido, caiu e bateu a cabeça na porta de um carro, o que resultou no traumatismo craniano que o levou ao coma e, depois, à morte.

Prisão, fiança e decisão judicial

Após a agressão, Pedro Turra chegou a ser preso, mas foi solto após pagar fiança de R$ 24,3 mil. Ele foi desligado do quadro de pilotos da temporada 2026 da Fórmula Delta, na categoria escola. No dia 30, a Justiça determinou novamente sua prisão, desta vez em regime preventivo.

Já no sistema prisional, ao chegar à Papuda, o piloto teve foto registrada com a cabeça raspada e o número de identificação prisional, seguindo o procedimento padrão aplicado a novos custodiados. A defesa relatou que ele está abatido e “profundamente entristecido” com o que ocorreu.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa, mantendo a prisão preventiva de Pedro Turra.

Outras investigações envolvendo o piloto

Além da morte de Rodrigo, a Polícia Civil apura quatro denúncias envolvendo o piloto, incluindo episódios anteriores que vieram à tona após a repercussão do caso. As investigações abrangem:

• a agressão em janeiro contra o adolescente de 16 anos, em Vicente Pires;
• uma briga em uma praça de Águas Claras, registrada em junho de 2025;
• a denúncia de uma jovem que afirma ter sido forçada por Pedro a ingerir bebida alcoólica quando ainda era menor de idade;
• a agressão contra um homem de 49 anos em uma briga de trânsito.

Com a morte de Rodrigo, o caso que começou como investigação de lesão corporal passa a ter desdobramentos na esfera de crimes contra a vida, enquanto seguem em curso as demais apurações sobre episódios atribuídos ao piloto.

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