Anvisa alerta para risco de pancreatite no uso de canetas de obesidade e diabetes sem orientação médica

Agência cita aumento de notificações no país, com seis mortes sob investigação e mais de 200 registros de problemas no pâncreas no Vigimed, ainda sem relação causal confirmada.

09/02/2026 às 13:50 por Redação Plox

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu nesta segunda-feira (9) um alerta sobre o uso de canetas para tratamento de obesidade e diabetes sem acompanhamento médico.


Mulher aplica caneta emagrecedora no abdômen

Mulher aplica caneta emagrecedora no abdômen

Foto: Freepik

Segundo o órgão, houve aumento nas notificações de casos de pancreatite associados ao uso desses medicamentos no país. Estão em investigação seis mortes por pancreatite possivelmente relacionadas ao uso dessas canetas, além de mais de 200 casos de problemas no pâncreas registrados durante o tratamento.

O alerta atinge todos os medicamentos que contenham dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida, o que abrange todas as canetas registradas no Brasil.

Uso restrito e necessidade de prescrição

Embora a pancreatite já conste nas bulas desses produtos como possível reação adversa, a Anvisa informa que houve aumento recente nas notificações e reforça que as canetas devem ser usadas exclusivamente segundo as indicações aprovadas em bula, sempre com prescrição e acompanhamento de profissional habilitado.

Hoje, a maior parte das canetas é autorizada apenas para o tratamento de obesidade e diabetes. Há duas exceções: a semaglutida, presente em medicamentos como Wegovy e Ozempic, também pode ser indicada para redução do risco de eventos cardiovasculares, e o Mounjaro é autorizado para o tratamento de apneia.

Qualquer uso fora dessa lista de indicações é contraindicado pela agência, por falta de evidências suficientes de segurança e eficácia em outras condições, o que expõe os pacientes a risco.

A Anvisa orienta ainda que o tratamento seja interrompido imediatamente diante de suspeita de pancreatite e que não seja retomado se o diagnóstico for confirmado.

Mortes sob investigação e registros de eventos adversos

Estão em apuração no Brasil seis mortes por pancreatite associadas ao uso de canetas emagrecedoras. Os casos são considerados suspeitos e envolvem algumas das principais marcas do mercado, como Ozempic, Mounjaro e Saxenda.

A agência ressalta que, mesmo quando o nome comercial aparece na notificação, há possibilidade de se tratar de produto falsificado.

Dados do painel Vigimed, que reúne notificações enviadas à Anvisa, indicam mais de 200 registros de problemas no pâncreas associados ao uso desses medicamentos, incluindo:

2 casos suspeitos de morte por pancreatite associados ao uso de Ozempic;

3 casos suspeitos de morte por pancreatite associados ao uso de Saxenda;

1 caso suspeito de morte associado ao uso de Mounjaro.

Todos os registros seguem classificados como suspeitos até a conclusão das análises, processo que pode levar anos. A agência e especialistas ressaltam que, mesmo quando há menção às canetas, a relação causal com o uso do medicamento não está estabelecida, já que pacientes em tratamento costumam ter risco aumentado para pancreatite.

Posicionamento das empresas

A Novo Nordisk, responsável por Saxenda e Ozempic, informou que existe advertência para efeitos sobre o pâncreas em medicamentos da classe GLP-1 e reforçou a importância do acompanhamento médico.

Segundo a empresa, há uma advertência de classe para todas as terapias baseadas em incretina — como agonistas do receptor GLP-1, agonistas duais GIP/GLP-1 e inibidores de DPP-4 — em relação ao risco de pancreatite. Vários fatores de risco estão envolvidos no desenvolvimento da doença, incluindo diabetes e obesidade, e a pancreatite aguda consta como reação adversa nas bulas de produtos como Ozempic, Rybelsus, Wegovy, Victoza e Saxenda.

A orientação da fabricante é que pacientes sejam informados sobre sintomas característicos de pancreatite e descontinuem o uso de semaglutida ou liraglutida em caso de suspeita, com cautela adicional em pessoas com histórico prévio da doença.

Já a Elly Lilly, responsável por Mounjaro, afirma monitorar os registros e destaca que a inflamação do pâncreas está descrita na bula como reação adversa incomum.

De acordo com a bula de Mounjaro (tirzepatida), a pancreatite aguda é uma reação adversa incomum, e os pacientes são orientados a conversar com o médico para obter mais informações sobre os sintomas, informar o profissional em caso de suspeita e interromper o tratamento se houver sinais compatíveis durante o uso do medicamento.

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