Morre adolescente que apanhou de piloto Pedro Turra no Distrito Federal
Rodrigo Castanheira estava internado na UTI em Águas Claras com traumatismo craniano e não resistiu; Pedro Arthur Turra Basso teve a prisão preventiva decretada
Um estudo da Unicamp identificou que o chamado efeito sanfona — os episódios repetidos de perda e ganho de peso — diminui a atividade da gordura marrom e provoca prejuízos ao metabolismo. Os resultados foram publicados em dezembro na revista científica americana Nutrition Research.
Não existe, até hoje, uma dieta universal ideal para a perda de peso — que seja eficaz para todo mundo
Foto: Freepik
A gordura marrom, ou tecido adiposo marrom, é responsável por queimar glicose e lipídios para produzir calor, contribuindo para o gasto energético do organismo. Esse tecido também ajuda a melhorar o metabolismo e a proteger contra diabetes e doenças cardiovasculares.
Os pesquisadores do Laboratório de Investigação em Metabolismo e Diabetes da Faculdade de Medicina, em Campinas (SP), acompanharam por quatro anos 121 mulheres, com idades entre 20 e 41 anos e diferentes biotipos.
As participantes foram avaliadas em uma câmara de termografia infravermelha, que permite verificar a atividade da gordura marrom pela variação de temperatura em regiões específicas do corpo. Também foram medidos indicadores de saúde, como a quantidade de gordura visceral, para compor a análise.
As mulheres que relataram episódios de perda de peso intencional, seguidos de recuperação não planejada, apresentaram mais gordura corporal, maior acúmulo de gordura visceral, piores indicadores metabólicos e menor atividade da gordura marrom.
De acordo com o orientador da pesquisa, médico endocrinologista Bruno Geloneze, o grupo conseguiu demonstrar que o tecido adiposo marrom não funciona adequadamente em mulheres que passaram por ciclos repetidos de emagrecimento e reganho de peso.
Essa menor atividade reduz a capacidade do corpo de gastar energia e de proteger o metabolismo, favorecendo alterações metabólicas desfavoráveis.
O efeito sanfona descrito pelos pesquisadores é o processo repetitivo de perda rápida de peso — acima de quatro quilos — seguida de recuperação involuntária. Esse movimento costuma estar associado a dietas restritivas, uso de medicações para emagrecer e cirurgias bariátricas.
Segundo Bruno Geloneze, a disfunção da gordura marrom ajuda a explicar por que muitas pessoas têm tendência a recuperar o peso após emagrecer e, ao mesmo tempo, passam a ter maior risco de desenvolver diabetes e outras doenças metabólicas e cardiovasculares.
Sempre houve a discussão de 'por que volta a ganhar peso e por que que volta pior'. Porque na volta o corpo fica com maior quantidade de gordura corporal, é falta de força de vontade, envelhecimento... Tudo isso é verdade. Mas, tem uma outra peça nesse quebra-cabeça. Os cicladores tem essa tendência a piorar o seu estado metabólico e recuperar o peso, porque durante esse efeito ioiô, ele vai piorar a função do tecido adiposo marrom Bruno Geloneze
O tecido adiposo marrom é um tipo de gordura diferente da gordura branca, que é o principal estoque de energia do corpo. Ao contrário da branca, a gordura marrom contribui para a proteção contra diabetes e doenças cardiovasculares.
Ela é responsável por queimar glicose e lipídios para produzir calor, aumentando o gasto energético e elevando a temperatura do corpo, especialmente do sangue e dos vasos sanguíneos.
Até 2009, a comunidade científica acreditava que a gordura marrom existia apenas em recém-nascidos. Estudos mais recentes, porém, mostraram que adultos também possuem esse tecido, principalmente na região supraclavicular, que inclui o pescoço, a área acima da clavícula e o entorno da coluna.
Segundo o pesquisador, adultos têm apenas entre 50 e 300 gramas de gordura marrom distribuídas pelo corpo — uma quantidade pequena, mas metabolicamente relevante.
Não há exames clínicos de rotina capazes de medir diretamente a quantidade de gordura marrom no organismo. Por isso, os cientistas avaliaram a atividade desse tecido por meio de uma câmara de termografia infravermelha.
O equipamento detecta a radiação térmica emitida pelo corpo e a converte em imagens que revelam variações de temperatura. A partir desse recurso, os pesquisadores observaram o aumento de calor gerado pela gordura marrom em resposta a estímulos.
As mulheres foram inicialmente expostas a um ambiente aquecido e, em seguida, a um ambiente com temperatura de 18°C, considerada o principal estímulo para ativar a gordura marrom.
No grupo de mulheres que não apresentavam ciclos de perda e ganho de peso, houve variação significativa de temperatura nas áreas ricas em tecido marrom, indicando maior produção de calor e ativação do tecido. Já entre as participantes que passaram por mais episódios de efeito sanfona, a variação foi menor, sugerindo ativação reduzida do tecido adiposo marrom.
Segundo o pesquisador, é comum que pessoas com dificuldade para manter o peso entrem em uma sequência de dietas restritivas e reganhos de peso. Esse padrão costuma ser atribuído a descuido, fadiga com dietas ou ao envelhecimento, mas o estudo indica que há um componente biológico adicional.
Quando alguém passa por episódios de efeito sanfona, o peso recuperado tende a voltar principalmente na forma de gordura branca e de gordura visceral, que se acumula na região abdominal e está ligada a maior risco de doenças metabólicas.
Esse excesso de gordura branca e visceral prejudica a gordura marrom e contribui para um desequilíbrio metabólico, piorando indicadores de saúde mesmo quando a pessoa retorna ao peso original.
Não existe uma solução imediata ou única para interromper o efeito sanfona. No entanto, o professor destaca que a adoção de uma rotina regular de exercícios físicos pode contribuir para reativar o tecido adiposo marrom e minimizar parte dos impactos metabólicos.
O exercício físico não apenas produz calor, como ele produz algumas substâncias chamadas mioquinas. Uma delas chama irisina. Elas podem ativar o próprio tecido adiposo marrom Bruno Geloneze
Uma alimentação balanceada, com inclusão de alimentos ricos em fibras vegetais não digeríveis, também pode favorecer a ativação da gordura marrom. Essas fibras são parcialmente fermentadas pelas bactérias intestinais, que produzem ácidos graxos de cadeia curta — substâncias que circulam pelo corpo e ajudam a ativar o tecido adiposo marrom.