Morre adolescente que apanhou de piloto Pedro Turra no Distrito Federal
Rodrigo Castanheira estava internado na UTI em Águas Claras com traumatismo craniano e não resistiu; Pedro Arthur Turra Basso teve a prisão preventiva decretada
Silenciosas, muitas vezes incompreendidas e cheias de desafios no diagnóstico, doenças como lúpus, fibromialgia e Alzheimer fazem parte da rotina de milhares de famílias e ganham relevo no Fevereiro Roxo, campanha que busca ampliar a conscientização sobre essas condições crônicas e reforçar a importância do diagnóstico precoce, do acolhimento e do tratamento contínuo. Embora apresentem características distintas, elas têm algo em comum: o impacto profundo na qualidade de vida dos pacientes e de todos ao seu redor.

Foto: Divulgação
O reumatologista da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), Dr. Guilherme Campos, explica que o lúpus e, principalmente, a fibromialgia são frequentemente chamados de doenças invisíveis, por não apresentarem sinais físicos tão evidentes em muitos casos, apesar do sofrimento intenso que provocam. Segundo ele, o lúpus é uma doença autoimune, caracterizada por um desarranjo no sistema imunológico, que passa a atacar células do próprio organismo, podendo atingir articulações, pele, rins e até o sistema nervoso.
Já a fibromialgia está ligada a uma alteração no sistema nervoso, que provoca uma hipersensibilidade à dor, conhecida como dor nociplástica. São doenças que causam dor incapacitante e, no caso da fibromialgia, muitas vezes não há um exame específico que comprove a dor relatada pelo paciente, o que faz com que o sofrimento seja, em muitas situações, desacreditado, mesmo sendo real e extremamente limitante.
Os sintomas das duas doenças podem se assemelhar em alguns aspectos, principalmente pela presença da dor crônica, mas apresentam particularidades importantes. O lúpus pode causar inflamações articulares, lesões de pele e comprometimento de órgãos vitais, exigindo tratamento com medicamentos imunossupressores. A fibromialgia, por sua vez, costuma provocar dores musculares difusas, fadiga intensa, alterações no sono e, em alguns casos, associação com quadros de ansiedade e depressão.
Pacientes com fibromialgia frequentemente já acordam cansados, com dores e dificuldade para realizar atividades simples do dia a dia, o que compromete de forma significativa a rotina e o bem-estar. Esse quadro reforça a necessidade de atenção prolongada e de um olhar atento da equipe de saúde para que o sofrimento seja reconhecido e tratado.
O diagnóstico dessas condições ainda é um grande desafio. De acordo com o Dr. Guilherme Campos, o lúpus é frequentemente subdiagnosticado, já que os pacientes podem passar anos enfrentando sintomas antes de chegar ao especialista. No caso da fibromialgia, o cuidado maior está em evitar diagnósticos equivocados, pois a doença é definida por exclusão. É necessário investigar e descartar outras condições que possam causar sintomas semelhantes, como alterações hormonais e doenças metabólicas.
Nesse contexto, o reumatologista tem papel central na avaliação de pacientes com dor persistente por mais de dois ou três meses, garantindo uma investigação adequada e a indicação do tratamento mais apropriado.
A continuidade do tratamento é outro ponto essencial. O acompanhamento multidisciplinar, envolvendo médicos, fisioterapeutas, educadores físicos, psicólogos e nutricionistas, tem papel decisivo na evolução dos pacientes. Quando há adesão ao tratamento e acompanhamento regular, é possível alcançar melhora significativa dos sintomas e da qualidade de vida. Mesmo sem cura, é viável controlar a doença e devolver autonomia ao paciente.
O acolhimento também exerce função crucial nesse processo. O apoio familiar e a escuta atenta por parte da equipe de saúde fazem diferença na evolução clínica e emocional das pessoas acometidas por essas doenças. Quando o paciente se sente ouvido e compreendido, tende a confiar mais no tratamento. A participação da família é fundamental para compreender as orientações médicas e oferecer suporte nos momentos mais difíceis.
Outra condição em destaque na campanha Fevereiro Roxo é a Doença de Alzheimer, principal causa de demência no mundo. O neurologista da FSFX, Dr. Wesley Vieira, explica que se trata de uma doença caracterizada pela degeneração progressiva das células cerebrais, especialmente nas áreas responsáveis pela memória, linguagem e demais funções cognitivas.
Ela ocorre devido ao acúmulo anormal de proteínas no cérebro, que levam à perda progressiva das células cerebrais, sendo essa perda a responsável pelo comprometimento da comunicação entre os neurôniosDr. Wesley Vieira
Nos estágios iniciais, o sintoma mais comum é a dificuldade para memorizar informações recentes, como compromissos e conversas, enquanto lembranças antigas costumam permanecer preservadas. Mudanças de comportamento, como irritabilidade, apatia e perda de iniciativa, também podem surgir e, muitas vezes, são confundidas com sinais naturais do envelhecimento.
No envelhecimento considerado normal, a pessoa pode esquecer algo ocasionalmente e lembrar depois. No Alzheimer, o esquecimento é progressivo e passa a comprometer a autonomia do paciente, interferindo de forma crescente na capacidade de gerir a própria rotina.
O diagnóstico precoce é um dos principais aliados no enfrentamento do Alzheimer. Embora ainda não exista cura, intervenções médicas e terapêuticas podem retardar a progressão dos sintomas e preservar a independência do paciente por mais tempo. Além disso, o diagnóstico antecipado permite que a família se organize emocional e estruturalmente para lidar com a doença.
Quando o quadro é identificado precocemente, é possível iniciar o tratamento no momento adequado e planejar o cuidado de forma mais humanizada, reduzindo impactos futuros. Dessa forma, o acompanhamento torna-se mais estratégico, com foco na preservação das funções cognitivas e na adaptação gradativa da rotina doméstica.
O Alzheimer também traz repercussões que vão além do paciente, afetando diretamente toda a família. Com a evolução da doença, os familiares passam a assumir responsabilidades relacionadas à rotina, à administração de medicamentos e às decisões do dia a dia, o que pode gerar sobrecarga física e emocional. É comum que o cuidador principal enfrente cansaço, ansiedade e até um sentimento de luto antecipado, o que torna indispensável incluir toda a família no plano de cuidado.
Assim como nas demais doenças abordadas pelo Fevereiro Roxo, o acompanhamento contínuo e multidisciplinar é essencial para o controle do Alzheimer. A atuação integrada de psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais contribui para preservar funções cognitivas, estimular a autonomia possível em cada fase e oferecer suporte emocional aos familiares.
Para o Dr. Wesley Vieira, a informação e o acolhimento são ferramentas fundamentais no enfrentamento da doença. Ele orienta que os familiares procurem compreender o Alzheimer como uma condição médica, e não como uma escolha individual do paciente. Manter uma rotina estruturada, comunicação simples e ambiente seguro ajuda no dia a dia, e é importante lembrar que o cuidador também precisa de apoio. Dividir responsabilidades e buscar ajuda profissional faz parte do tratamento.
O neurologista também traz uma reflexão sobre o cuidado com esses pacientes, ao lembrar que, mesmo quando a memória falha, as emoções permanecem. O paciente pode esquecer fatos e palavras, mas guarda sentimentos sobre como foi tratado. Carinho, respeito e empatia fazem diferença todos os dias e são formas importantes de cuidado e tratamento.
Mais do que promover informação, o Fevereiro Roxo reforça a necessidade de olhar para essas doenças com empatia, compreensão e responsabilidade coletiva. Para pacientes e familiares, o diagnóstico pode representar o início de uma jornada desafiadora, mas o acompanhamento adequado, o suporte emocional e o acesso ao tratamento podem transformar essa trajetória, proporcionando mais qualidade de vida e esperança.
Fundação São Francisco Xavier
A Fundação São Francisco Xavier é uma entidade filantrópica que atua desde 1969 e conta com cerca de 6.200 colaboradores. Atualmente, administra duas unidades hospitalares: o Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, com cerca de 70% dos atendimentos pelo SUS, e o Hospital Municipal Carlos Chagas, em Itabira (MG), com 100% dos atendimentos pelo SUS.
As unidades hospitalares têm gestão marcada pela responsabilidade, pela oferta de atendimentos de excelência e pelas melhores práticas de segurança. Além dos hospitais, a Fundação é responsável pela operadora de planos de saúde Usisaúde, que possui mais de 200 mil vidas, pelo Centro de Odontologia Integrada, que mantém indicadores de saúde bucal entre os melhores já divulgados no Brasil, e pelo Serviço de Segurança do Trabalho, Saúde Ocupacional e Meio Ambiente – Vita, que soma mais de 160 mil vidas sob sua gestão.
Na área educacional, o Colégio São Francisco Xavier, unidade precursora localizada em Ipatinga, é referência em Educação na região, com cerca de 2 mil alunos, da educação infantil à formação técnica.