Piloto suspeito de exploração sexual deixava claro que ‘gostava de criança’, diz delegada
Investigação da polícia de SP aponta produção e armazenamento de pornografia infantil e aliciamento de menores; duas mulheres também foram presas por suspeita de colaboração
09/02/2026 às 18:06por Redação Plox
09/02/2026 às 18:06
— por Redação Plox
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O piloto preso no Aeroporto de Congonhas nesta segunda-feira (9), suspeito de pedofilia, é apontado pela polícia de São Paulo como líder de uma rede de exploração sexual de menores. De acordo com a investigação, Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, mantinha contato direto com algumas das vítimas e as levava a motéis usando documentos de pessoas maiores de idade. Uma das meninas teria começado a ser abusada aos 8 anos de idade e hoje está com 12. A polícia afirma que o suspeito também produzia e armazenava material de pornografia infantil.
A informação foi divulgada em entrevista coletiva na manhã desta segunda. Acompanhe na Live.
Operação prendeu piloto, avó e mãe de vítimas
A ação desta segunda-feira foi batizada de Apertem os Cintos e resultou na prisão de três pessoas: o piloto e duas mulheres. Segundo a polícia, uma das presas é avó de três meninas que teriam sido “vendidas” ao suspeito. A outra é mãe de uma criança que também foi entregue ao piloto.
A investigação aponta que essa mãe tinha conhecimento dos abusos e ainda colaborava com o crime, enviando fotos e vídeos da filha ao homem. A polícia afirma que, quando o piloto tinha contato físico com as crianças, cometia estupros, e uma das vítimas apareceu com diversos machucados após ter sido agredida em um motel na semana anterior à operação.
Pagamentos em dinheiro e benefícios a famílias
Para ter acesso às vítimas, o suspeito adotava diferentes estratégias, entre elas o contato direto com mães e avós. Ele deixava claro que “gostava de criança” e, em alguns casos, se relacionava com as mulheres como forma de se aproximar das menores.
As investigações indicam que o piloto fazia pagamentos em dinheiro às responsáveis quando recebia fotos e vídeos das meninas, em valores de R$ 30, R$ 50 e R$ 100. Além disso, ele custeava medicamentos para as famílias, pagava aluguéis e chegou a comprar um aparelho de TV.
Até o momento, dez vítimas foram formalmente identificadas. No entanto, a polícia afirma que há dezenas de outras crianças que aparecem em fotos e vídeos armazenados no celular do suspeito, a maioria com idades entre 12 e 13 anos.
Prisão dentro do avião em Congonhas
Segundo a polícia, o piloto foi detido já dentro da aeronave no Aeroporto de Congonhas. A estratégia foi definida como a forma mais rápida de localizá-lo, já que, devido à rotina de trabalho, havia dificuldade em encontrá-lo em sua residência, em Guararema, na Grande São Paulo. Os investigadores solicitaram a escala de voo do suspeito à empresa aérea e identificaram que ele faria um voo nesta segunda-feira. Ele foi abordado a bordo, antes da decolagem.
O homem declarou à polícia que é casado pela segunda vez e tem filhos do primeiro casamento. A atual esposa, que é psicóloga, compareceu à delegacia e, segundo os investigadores, demonstrou choque ao saber das acusações. A polícia afirma que ela não tinha conhecimento das práticas atribuídas ao marido.
As investigações prosseguem e outras vítimas identificadas nas imagens serão contatadas pelos agentes. A polícia também busca ampliar o mapeamento da rede de exploração sexual que teria o piloto como líder.
Posicionamento da companhia aérea
Em nota, a Latam Airlines Brasil informou que abriu apuração interna sobre o caso e que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. A empresa destacou que repudia ações criminosas e afirma seguir padrões elevados de segurança e conduta.
A companhia comunicou ainda que o voo LA3900, na rota São Paulo/Congonhas – Rio de Janeiro/Santos Dumont, que seria operado pelo piloto preso, foi realizado normalmente, com decolagem e pouso dentro do horário previsto.