Morre adolescente que apanhou de piloto Pedro Turra no Distrito Federal
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Popular entre crianças e adolescentes, o Roblox — plataforma com milhares de jogos criados pelos próprios usuários — é alvo crescente de denúncias e investigações no Brasil. Por trás do visual lúdico e da promessa de diversão, autoridades enxergam um ambiente com riscos sérios: exposição a conteúdos inadequados, dificuldade de monitoramento e, sobretudo, um espaço propício para a atuação de aliciadores de menores.
Roblox
Foto: Reprodução
Ao ingressar na plataforma, o usuário cria rapidamente um avatar, escolhe um apelido sugerido pelo próprio sistema e pode começar a jogar em poucos minutos. A criação de conta é simples e, para quem declara ser maior de idade, não há exigência de documentos ou e-mail. Assim, jogadores transitam livremente por milhares de mundos virtuais e interagem com outras pessoas por chat escrito ou por áudio.
De acordo com dados da própria plataforma, 144 milhões de usuários acessam o Roblox diariamente, sendo 50 milhões menores de 13 anos e 57 milhões na faixa entre 13 e 17 anos. A maior parte se conecta pelo celular, o que torna o jogo ainda mais presente no cotidiano das famílias.
No início do ano, o Roblox passou a adotar verificação facial para tentar identificar a idade dos jogadores e restringir o chat de crianças, medida que gerou protestos dentro da própria plataforma.
Embora muitos jogos indiquem uma “idade mínima” para acesso, a própria empresa admite que a classificação não tem caráter formal e funciona apenas como sinalização de restrições. Como a maior parte dos conteúdos é produzida pelos usuários, multiplicam-se ambientes com temas inadequados para menores.
Autoridades relatam a existência de bailes funk com músicas sexualizadas, jogos com apologia a facções criminosas, simulações de ataques em escolas, ambientes que induzem ao suicídio, partidas que oferecem “dinheiro” virtual ao jogador por “matar pessoas” e até mundos que simulam “venda de crianças”.
A delegada Lysandrea Salvariego Colabuono, coordenadora do Núcleo de Observação e Análise Digital da Polícia Civil de São Paulo, relata que jogos perigosos são denunciados à plataforma, mas podem levar semanas para serem retirados do ar.
Segundo o núcleo especializado da Polícia Civil de São Paulo, cerca de 90% das vítimas monitoradas em investigações tiveram o primeiro contato com agressores dentro do Roblox. A estratégia de atuação costuma ser silenciosa e gradual.
Adultos se passam por crianças, estabelecem vínculos afetivos, transferem as conversas para outros aplicativos, iniciam um processo de manipulação emocional e, a partir daí, tentam obter fotos ou vídeos íntimos das vítimas. O objetivo é construir confiança e reduzir a resistência dos menores.
O agressor não tem pressa. Ele ganha a confiança da criança delegada Lysandrea Salvariego Colabuono
Casos recentes ilustram o risco. Em Curitiba (PR), uma menina de 11 anos, que jogava um game de construção de zoológicos, passou a ser chantageada. A mãe só descobriu a situação em 1º de janeiro. O caso é apurado pelo Nuciber, núcleo especializado em crimes cibernéticos no Paraná.
Em Porto Alegre (RS), uma menina de 12 anos iniciou uma conversa com um usuário anônimo em um jogo popular de sobrevivência a desastres naturais. O agressor divulgou fotos íntimas dela para familiares e para a escola. O suspeito, um adolescente de 16 anos de Ribeirão Preto, foi identificado. No celular dele, a polícia encontrou imagens de violência extrema, apologia ao nazismo, grupos de pedofilia e indícios de possíveis novas vítimas.
Mesmo com o agressor apreendido, a família da vítima teme novas exposições.
Procurada, a empresa afirmou em nota que suas medidas de segurança vão além do que é adotado por outras plataformas. A companhia sustenta que não permite o compartilhamento de imagens ou vídeos pelo chat e que a comunicação dentro do Roblox não é criptografada, justamente para permitir monitoramento.
Segundo a nota, o Roblox proíbe conteúdos inadequados ou que incentivem atividades ilegais, como glorificação de drogas, promoção de gangues ou recriação de eventos sensíveis do mundo real, incluindo tiroteios em escolas. A empresa afirma trabalhar para detectar e remover esse tipo de material, combinando verificações humanas e automatizadas, e diz oferecer ferramentas de denúncia consideradas fáceis de usar.
A discussão sobre segurança digital para menores ocorre em meio à implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital), aprovado em setembro do ano passado e que passa a valer em 1º de março deste ano. O estatuto estabelece regras mais rígidas de proteção em plataformas digitais, o que deve exigir adaptações do Roblox para continuar operando no país.
A preocupação com redes sociais e ambientes virtuais voltados a menores cresce em diferentes partes do mundo. A Austrália já restringiu o uso dessas plataformas. A Espanha planeja adotar medidas semelhantes. Na Califórnia, famílias e escolas movem um amplo processo contra empresas de tecnologia, acusando-as de criar ambientes nocivos e potencialmente viciantes.
Embora não haja consenso científico sobre dependência digital entre crianças, profissionais de saúde relatam aumento de casos associados ao uso excessivo de telas, reforçando o debate sobre os limites e as responsabilidades de plataformas como o Roblox.