'Sou agente da prisão perpétua’: Coveiro mineiro viraliza ao mostrar rotina em cemitério com humor
Paulo Lima compartilha o dia a dia no cemitério com humor e reflexões, conquistando milhares de seguidores na internet.
Por Plox
09/03/2025 10h56 - Atualizado há 25 dias
Paulo Lima, coveiro há sete anos, encontrou uma maneira inusitada de transformar sua rotina de trabalho em um conteúdo envolvente e reflexivo. Conhecido nas redes sociais como 'agente de prisão perpétua', ele viralizou ao compartilhar o dia a dia no cemitério da Boa Morte, em Barbacena, com uma abordagem leve, mas sem perder o respeito e a seriedade que o ambiente exige.

Com cerca de 180 mil seguidores no Instagram e mais de 120 mil no TikTok, Paulo atrai a atenção do público ao explorar um lado 'menos sombrio' do cemitério. Em seus vídeos, ele fala sobre a história do local, suas obras de arte e a riqueza cultural que os túmulos preservam. O cemitério da Boa Morte abriga sepulturas históricas, como das famílias Andrada e Bias Fortes, e histórias marcantes, incluindo a de Dona Leocádia, uma escrava que, apesar da segregação da época, foi sepultada ali ao lado de sua senhora, filha do diplomata José Bonifácio de Andrada e Silva.
Paulo também utiliza seu espaço digital para abordar temas como filosofia, teologia e reflexões sobre a vida e a morte. Para ele, o cemitério é um 'museu a céu aberto', onde a igualdade se manifesta de maneira absoluta. 'Aqui é o jardim da igualdade. Não adianta ser isso ou aquilo, porque no final, todos vão para o mesmo lugar', reflete.
Além da criação de conteúdo, Paulo recentemente lançou um e-book com mensagens diárias de inspiração. Ele acredita que a fé, independente da religião, é essencial para enfrentar os desafios da vida. 'O importante é buscar a Deus. Cada um tem sua crença, e o respeito deve vir em primeiro lugar', afirma.
O trabalho de coveiro, no entanto, vai muito além das redes sociais. Paulo destaca que sua rotina inclui sepultamentos, manutenção dos túmulos e exumações – esta última, segundo ele, a parte mais difícil da profissão. 'Às vezes, o corpo não decompôs, e isso torna o trabalho muito mais delicado. Uso sempre os equipamentos de proteção porque tenho uma mãe de 92 anos e preciso me cuidar', explica.
As emoções também fazem parte do cotidiano. Ele já se viu chorando em enterros, especialmente em casos que envolvem crianças e mães enlutadas. 'Uma das cenas mais difíceis foi quando uma mãe me pediu para não enterrar o filho dela. A dor de uma mãe sempre me toca profundamente', relata.
Apesar das dificuldades, Paulo segue sua missão com dedicação e empatia. Ele acredita que tratar os mortos com respeito e acolher as famílias enlutadas são partes fundamentais do seu trabalho. 'Aqui, a gente precisa ter sensibilidade e fazer tudo com muito carinho. Cada pessoa que chega ao cemitério merece respeito, assim como suas famílias', conclui.