Importadores de combustíveis defendem reajuste de R$ 1,20 no litro da gasolina no Brasil
Abicom afirma que há defasagem em relação ao mercado internacional e diz que a alta reduziria a atratividade das importações, com risco de pressão no abastecimento em janelas e regiões; ANP reforça que preços são livres
09/03/2026 às 16:15por Redação Plox
09/03/2026 às 16:15
— por Redação Plox
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A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) voltou a defender um reajuste expressivo no preço da gasolina vendida no país. Segundo a entidade, há uma defasagem em relação ao mercado internacional que abriria espaço para um aumento de cerca de R$ 1,22 por litro, reforçando a pressão sobre os custos ao consumidor em meio à volatilidade recente do petróleo.
Importadores de combustíveis defendem reajuste de R$ 1,20 no litro da gasolina no Brasil
Foto: Reprodução
Defasagem de preços e pressão sobre importações
De acordo com informações divulgadas nesta segunda-feira (09/03/2026, importadores apontam que a gasolina no Brasil estaria abaixo do patamar praticado em mercados de referência no exterior. Essa diferença reduziria a atratividade das importações e poderia pressionar o abastecimento em algumas regiões e em determinadas “janelas” de importação.
A Abicom sustenta que, para recompor a paridade com o preço internacional, haveria espaço para um reajuste de aproximadamente R$ 1,22 por litro. Antes disso, levantamentos citados em notícias com base em dados da própria entidade já indicavam outra fotografia: em um cenário anterior, o diesel poderia exigir alta de R$ 1,51 por litro e a gasolina, de R$ 0,47 por litro para equalizar preços, mostrando que os cálculos variam conforme a data, a metodologia e a referência usada, como polo, refinaria e janela de importação.
Nesse contexto, importadores de combustíveis defendem reajuste de R$ 1,20 no litro da gasolina no Brasil como forma de recompor a paridade de importação, argumento que mantém o tema no centro das discussões sobre combustíveis.
Formação de preços e dados da ANP
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) reforça que o Brasil opera em regime de liberdade de preços, e divulga semanalmente sínteses com os valores médios ao consumidor. Em uma das sínteses de 2026, a agência registrou a gasolina comum com preço médio de revenda em torno de R$ 6,33 por litro na semana analisada, no documento “Síntese semanal”.
Isso evidencia que, embora o debate sobre reajuste se concentre na paridade de importação e nos preços praticados nas refinarias, o valor final na bomba resulta de uma composição mais ampla, que envolve tributos, mistura de etanol, margens e custos de distribuição e revenda. Não se trata, portanto, apenas da decisão de um agente específico na cadeia.
Efeitos no bolso, no frete e na inflação
No curto prazo, um aumento na casa de R$ 1,20 por litro, se integralmente repassado, teria impacto direto sobre o custo de deslocamento e o orçamento das famílias. Na prática, esse repasse pode ser parcial e variar conforme a região, a dinâmica da concorrência e o perfil do mercado local.
Além do impacto direto no bolso do motorista, gasolina mais cara tende a pressionar custos de serviços e parte da logística urbana, como entregas leves, aplicativos de transporte e pequenos transportadores, com potencial reflexo em outros preços da economia.
Estados com grande consumo e logística intensa, como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, ganham destaque nesse cenário. Polos como Paulínia (SP) e Araucária (PR) aparecem com frequência em relatórios de defasagem por serem áreas sensíveis à dinâmica de importação e distribuição, especialmente no caso do diesel, mencionado em levantamentos recentes.
Monitoramento e próximos desdobramentos
Nos próximos dias, o setor deve acompanhar de perto novos boletins de defasagem e as chamadas “janelas de importação” divulgados por entidades como a Abicom, além da evolução do preço internacional do petróleo e do câmbio, que influencia diretamente o custo de importação.
Também seguirá no radar a leitura dos próximos levantamentos semanais da ANP, para verificar se há aceleração do preço médio ao consumidor e em quais estados eventuais reajustes aparecem primeiro.
Até o momento, a informação disponível indica que não há decisão oficial, em fonte pública primária, sobre reajuste imediato na gasolina nas refinarias. O que existe é a defesa do aumento por parte de importadores e a divergência de estimativas, que variam de acordo com o recorte e a data em que os cálculos são feitos.