Focus: mercado mantém projeção de inflação em 3,91% para 2026
Estimativa do IPCA segue acima do centro da meta de 3%, mas dentro da faixa de tolerância; relatório também aponta Selic maior no fim de 2026, dólar a R$ 5,41 e PIB estável em 1,82%
09/03/2026 às 11:49por Redação Plox
09/03/2026 às 11:49
— por Redação Plox
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Os economistas do mercado financeiro mantiveram em 3,91% a estimativa de inflação para 2026, de acordo com o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (9). A projeção, calculada para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), permanece acima do centro da meta de 3%, mas ainda dentro da faixa de tolerância do sistema de meta contínua, que considera como aceitável variação entre 1,5% e 4,5%.
Se confirmada, a inflação de 2026 ficará abaixo do resultado observado no último ano, quando o IPCA somou 4,26%. O levantamento do Focus é feito semanalmente com mais de 100 instituições financeiras e consolida as expectativas do mercado para inflação, juros, câmbio e atividade econômica.
Imagem ilustrativa
Foto: Freepik
Inflação segue perto de 4% e mercado ajusta projeções até 2029
O Boletim Focus desta semana indicou estabilidade na projeção do IPCA de 2026, mantida em 3,91% ao ano. Para os anos seguintes, as revisões foram discretas, com leve alta apenas em 2027:
➡️ Para 2027, a estimativa de inflação passou de 3,79% para 3,80% ao ano. ➡️ Para 2028, a projeção foi mantida em 3,50% ao ano. ➡️ Para 2029, a expectativa continuou em 3,50% ao ano.
Desde o início de 2025, com a adoção do regime de meta contínua de inflação, o objetivo oficial é manter o IPCA em 3% ao ano, sendo considerada dentro da meta qualquer taxa entre 1,50% e 4,50%.
Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população, em especial das famílias de renda mais baixa. Isso porque os preços sobem de forma mais rápida do que os salários, comprimindo o orçamento e encarecendo itens essenciais do dia a dia.
Mercado eleva projeção da Selic e vê juros altos por mais tempo
No lado dos juros, o Boletim Focus mostrou nova alta na estimativa para a taxa básica da economia em 2026. Após ter sido mantida em 15% ao ano no mês passado — o maior nível em quase duas décadas —, a Selic projetada para o fim de 2026 subiu de 12,00% para 12,13% ao ano.
As projeções para os anos seguintes ficaram estáveis:
➡️ Para o fechamento de 2027, a taxa básica foi mantida em 10,50% ao ano. ➡️ Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou em 10,00% ao ano.
Com juros elevados por mais tempo, o custo do crédito tende a seguir pressionado. Isso significa financiamentos, empréstimos e uso do cartão de crédito mais caros, o que pode frear o consumo das famílias e adiar planos de investimento de empresas.
Câmbio recua levemente, mas dólar continua em patamar alto
No câmbio, o mercado financeiro reduziu de forma marginal a previsão para o dólar no fim de 2026, de R$ 5,42 para R$ 5,41. Para o fechamento de 2027, a estimativa dos economistas dos bancos foi mantida em R$ 5,50.
A ligeira queda na projeção para este ano tende a aliviar parte dos custos de produtos importados e de insumos cotados em dólar, mas o nível ainda é considerado elevado por diferentes setores, com reflexos em cadeias produtivas e na formação de preços internos.
PIB de 2026 estável em 1,82% e atividade avança menos que em 2025
As expectativas para a atividade econômica também permaneceram estáveis. A estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 ficou em 1,82%, sem alteração em relação à semana anterior.
O resultado oficial do PIB do ano passado foi de 2,3%, segundo dados do IBGE divulgados na semana passada, indicando que o mercado projeta uma desaceleração do ritmo de crescimento.
➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e é usado como principal termômetro do desempenho da economia. ➡️ Para 2027, a projeção de crescimento do PIB também foi mantida, em 1,8% ao ano.
Como funciona o Boletim Focus e por que acompanhar
O Boletim Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central e consolida as estatísticas das expectativas coletadas junto a instituições do mercado financeiro até a semana anterior à publicação. Trata-se de um retrato das projeções de bancos, gestoras, consultorias e outras casas para inflação, juros, câmbio e atividade, e não representa uma previsão oficial do Banco Central.
As próximas edições do relatório serão acompanhadas de perto para verificar se a inflação de 2026 se aproxima novamente do centro da meta de 3% ou se se mantém em torno de 4%. Ao mesmo tempo, a trajetória esperada da Selic deve reagir às decisões e sinalizações do Comitê de Política Monetária (Copom), além de novos dados de inflação, atividade e cenário internacional.
Indicadores de preços como o IPCA e seus núcleos, além de itens sensíveis como combustíveis, alimentos e serviços, permanecem no radar do mercado por seu potencial de alterar rapidamente a leitura sobre o comportamento da inflação em 2026 e nos anos seguintes.