Excesso de chuvas causa aumento no preço do feijão
Levantamento do Dieese e da Conab aponta alta puxada por feijão, batata e tomate, enquanto o açúcar recuou em 19 capitais por excesso de oferta
09/04/2026 às 12:47por Redação Plox
09/04/2026 às 12:47
— por Redação Plox
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O custo dos alimentos da cesta básica subiu nas 27 capitais do país, de acordo com monitoramento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). São Paulo segue com o maior valor apurado, de R$ 883,94, enquanto Aracaju registrou a cesta mais barata, com média de R$ 598,45.
Entre os itens que mais pesaram no aumento estão feijão, batata, tomate, carne bovina e leite. Segundo o levantamento, o excesso de chuvas nas principais regiões produtoras teve impacto decisivo especialmente sobre feijão, batata e tomate. Na direção oposta, o açúcar teve queda no custo médio em 19 capitais, associada ao excesso de oferta.
Preço da cesta básica subiu em 27 capitais.
Foto: Reprodução / Agência Brasil.
Altas mais fortes e capitais com maiores valores
Conforme a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, os maiores aumentos foram registrados em Manaus (7,42%), Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%), Belo Horizonte (6,44%), Aracaju (6,32%), Natal (5,99%), Cuiabá (5,62%), João Pessoa (5,53%) e Fortaleza (5,04%).
Nos valores nominais, além de São Paulo, aparecem entre as cestas mais caras Rio de Janeiro (R$ 867,97), Cuiabá (R$ 838,40), Florianópolis (R$ 824,35) e Campo Grande (R$ 805,93). Nas demais capitais, os valores médios ficaram abaixo de R$ 800.
Com o salário mínimo em R$ 1.621,00, o trabalhador nessas capitais precisa de cerca de 109 horas para custear a cesta básica. Ainda assim, o levantamento aponta queda do peso desse gasto quando comparado à renda em relação ao ano anterior.
Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, nas 27 capitais pesquisadas em março de 2026, 48,12% do rendimento para adquirir os itens alimentícios básicos e, em fevereiro, 46,13% da renda líquida. Em março de 2025, considerando as 17 capitais analisadas, o percentual médio ficou em 52,29%
Levantamento
Tempo de trabalho para comprar a cesta
Em março, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica foi de 97 horas e 55 minutos. Em fevereiro, a média era de 93 horas e 53 minutos. Já na comparação com março de 2025 — considerando o conjunto de 17 capitais analisadas — a jornada média foi de 106 horas e 24 minutos.
No recorte dos últimos 12 meses, o estudo indica alta em 13 capitais e queda em quatro, dentro do grupo comparável. Os maiores avanços ocorreram em Aracaju (5,09%), Salvador (4,51%) e Recife (4,38%). As principais reduções foram observadas em Brasília (-4,63%) e Florianópolis (-0,91%). A comparação anual é limitada a 17 capitais porque o Dieese não realiza levantamentos mensais em Boa Vista, Cuiabá, Macapá, Maceió, Manaus, Palmas, Porto Velho, Rio Branco, São Luiz e Teresina.
Chuvas pressionam o feijão em todo o país
O levantamento mostra que o feijão subiu em todas as cidades. O feijão preto — pesquisado nos municípios da Região Sul, do Rio de Janeiro e de Vitória — teve altas entre 1,68% (Curitiba) e 7,17% (Florianópolis). Já o feijão carioca — coletado nas demais capitais — registrou aumentos entre 1,86% (Macapá) e 21,48% (Belém).
De acordo com o estudo, a alta do feijão está ligada à restrição de oferta, provocada por dificuldades na colheita, redução de área na primeira safra e expectativa de menor produção na segunda safra. Também há indicação de atraso em outras áreas, como Mato Grosso do Sul, onde o excesso de chuvas reduziu a janela entre culturas e levou à substituição por feijão preto voltado principalmente ao mercado indiano.
O texto informa ainda que o feijão carioca chega a ser vendido a R$ 350 a saca, com possibilidade de queda a partir de agosto, setembro e outubro, período de colheita da safra irrigada. O feijão preto aparece com valores em torno de R$ 200 a 210 a saca, influenciado por estoques das duas colheitas de 2025. A expectativa indicada é de inversão de preços, com o feijão preto mais caro do que o carioca em 2026.
A Conab estima produção superior a 3 milhões de toneladas, com avanço de 0,5% em relação ao ciclo 2024/2025. O impacto do aumento nos custos de fertilizantes e combustíveis ainda não teria sido sentido pelo setor, elevando a incerteza, enquanto o texto aponta expectativa de aumento global dos valores de alimentos.
Dieese calcula salário mínimo ideal
O Dieese também estimou o valor do salário mínimo ideal, com base na cesta mais cara — a de São Paulo — e nos custos considerados necessários para atender direitos previstos na Constituição, como alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
Em março, o valor calculado para uma família de quatro pessoas seria de R$ 7.425,99, o equivalente a 4,58 vezes o mínimo vigente. Em fevereiro, a estimativa era de R$ 7.164,94 (4,42 vezes o piso). Na comparação com março de 2025, o mínimo necessário seria de R$ 7.398,94, ou 4,87 vezes o valor vigente na época, de R$ 1.518,00.