Documentos indicam que Correios foram alertados há dois anos sobre risco de falta de dinheiro
Em meio à crise financeira, TCU colocou a sustentabilidade econômico-financeira da estatal em lista de alto risco; empresa tomou empréstimo bilionário e anunciou reestruturação
09/04/2026 às 07:04por Redação Plox
09/04/2026 às 07:04
— por Redação Plox
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Documentos obtidos pelo Jornal Nacional indicam que a direção dos Correios foi alertada há dois anos sobre o risco de a empresa ficar sem dinheiro. As informações aparecem em meio ao agravamento da crise financeira da estatal e ao acompanhamento do caso por órgãos de controle.
JN tem acesso a documentos que mostram que direção dos Correios foi alertada há dois anos de que corria risco de ficar sem dinheiro
Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
TCU aponta avanço “alarmante” das despesas
Em voto, o relator do processo, ministro Walton Alencar, afirmou que a evolução “alarmante” das despesas administrativas e financeiras dos Correios vem sendo acompanhada pelo tribunal há algum tempo.
Em 2024, o tema “Sustentabilidade Econômico-Financeira dos Correios” foi incluído na Lista de Alto Risco (LAR).
Essa classificação representa um dos mais altos níveis de alerta desta Corte, sinalizando que a estatal apresenta vulnerabilidades que podem comprometer a prestação de serviços essenciais e gerar impactos fiscais severos
ministro Walton Alencar
O ministro também destacou que a inclusão na LAR determina um acompanhamento intensivo e prioritário, com foco em aspectos como desempenho financeiro, gestão de pessoal e eficiência operacional, com o objetivo de reduzir riscos de fraude, desperdício e má gestão.
Prejuízos crescem e empresa recorre a empréstimo bilionário
A deterioração dos resultados aparece nos números recentes. Em 2022, os Correios fecharam o balanço com prejuízo de mais de R$ 700 milhões. Em 2024, o déficit chegou a R$ 2,5 bilhões. O rombo de 2025 ainda não foi oficialmente encerrado.
Para manter as operações, a estatal contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos e recebeu, no início deste ano, R$ 10 bilhões desse total. Segundo a empresa, a operação só foi concluída após o Tesouro Nacional oferecer garantias.
Os recursos devem ser usados para quitar dívidas imediatas e sustentar a operação, mas os Correios admitem que podem precisar de mais R$ 8 bilhões ao longo do ano.
Reestruturação prevê cortes e fechamento de agências
No fim de 2025, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, disse que o resultado negativo de 2026 pode chegar a R$ 23 bilhões se o ciclo de perdas não for interrompido.
Como tentativa de reequilibrar as contas, a empresa anunciou, no fim de 2025, um amplo programa de reestruturação. O plano prevê corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de imóveis e o fechamento de cerca de mil agências — atualmente, a estatal tem aproximadamente 5 mil unidades.
De acordo com Rondon, o modelo econômico-financeiro dos Correios deixou de ser viável. A reestruturação busca reverter uma sequência de 12 trimestres consecutivos de prejuízos.
A estatal afirma que pretende economizar R$ 2 bilhões por ano a partir de 2027 com as medidas.