Ipea projeta alta de 1,8% do PIB em 2026 mesmo com tensões no Oriente Médio e petróleo em alta
Estimativa considera incertezas no cenário internacional e aponta consumo das famílias e expansão do crédito como motores da economia brasileira.
09/04/2026 às 17:57por Redação Plox
09/04/2026 às 17:57
— por Redação Plox
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A economia brasileira deve crescer 1,8% neste ano, segundo projeção do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão ligado ao Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO). A estimativa considera um cenário internacional marcado por incertezas, inclusive os efeitos da guerra iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, com impacto sobre o preço internacional do petróleo.
Mesmo ao reconhecer que o ambiente externo é de elevada tensão geopolítica, o Ipea afirma haver “motivos para moderado otimismo”, conforme a Carta de Conjuntura nº 70, publicada nesta quinta-feira (9).
Projeção é de crescimento para a economia este ano.
Foto: Marcello Casal JR / Agência Brasil
A elevada incerteza no cenário externo contrasta, entretanto, com a relativa rigidez de algumas dinâmicas que vêm caracterizando a economia brasileira há alguns anos – notadamente, o crescimento rápido e contínuo da renda disponível das famílias e do volume de crédito disponibilizado pelo sistema financeiro nacional
Ipea
Consumo das famílias e crédito sustentam a atividade
No cenário doméstico, o consumo das famílias, influenciado pelo aumento real do salário mínimo, é descrito como “um dos maiores motores da economia” pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) e também vinculado ao MPO.
O Ipea destaca ainda que o aumento do “crédito disponibilizado” tende a apoiar investimentos privados, outro componente relevante para a expansão do PIB. Além do consumo e dos investimentos, entram na conta do crescimento as despesas do Estado e o saldo entre exportações e importações.
Política fiscal e comércio exterior entram na projeção
De acordo com o Ipea, o Estado deve seguir a política do novo arcabouço fiscal, “caracterizada pela combinação de elevação dos gastos públicos de natureza social e crescimento das receitas públicas, decorrências diretas, no caso dos gastos, da política de valorização do salário mínimo e da reindexação dos gastos com saúde à receita corrente líquida da União.”
No comércio exterior, o instituto avalia que o cenário pode ser favorecido por “políticas fiscais expansionistas” associadas a investimentos em inteligência artificial e aos gastos com armamentos, impulsionados pelo conflito no Oriente Médio. O Ipea lembra que “a eclosão da guerra na Ucrânia [em fevereiro de 2022] não impediu, por exemplo, que o comércio mundial crescesse 5,8%” naquele ano.
Comparação entre quadriênios e projeção para 2027
No ano passado, o Ipea acertou a previsão de crescimento do PIB, de 2,3%. Se a projeção para este ano se confirmar, o somatório do período 2023-2026 chegará a 10,7%, acima dos dois quadriênios anteriores.
Nesse cenário, o resultado ficaria cinco pontos percentuais acima do PIB acumulado de 2019 a 2022 (5,7%) e 0,8 ponto percentual acima do total de 2015 a 2018 (9,9%). Para 2027, a estimativa do Ipea é de crescimento de 2%.