Poupança tem retirada líquida de R$ 11,1 bilhões em março e saldo volta a ficar abaixo de R$ 1 trilhão

Dados do Banco Central mostram terceiro mês seguido com mais saques do que depósitos; especialistas apontam perda de atratividade com juros elevados e migração para alternativas de renda fixa.

09/04/2026 às 18:31 por Redação Plox

A caderneta de poupança registrou, em março, o terceiro mês seguido com mais saques do que depósitos, segundo relatório do Banco Central divulgado nesta quinta-feira (9). Os dados indicam retirada líquida de R$ 11,1 bilhões no período, alta de quase 70% em relação a fevereiro.

No mês passado, os depósitos somaram cerca de R$ 369,6 bilhões, enquanto os saques chegaram a aproximadamente R$ 380,7 bilhões. Já os rendimentos creditados totalizaram R$ 6,3 bilhões. Com isso, o saldo final da poupança caiu para menos de R$ 1 trilhão pela primeira vez desde maio de 2024.

ados mostram uma retirada líquida de R$ 11,1 bilhões

ados mostram uma retirada líquida de R$ 11,1 bilhões

Foto: • Freepik



Poupança perde espaço com juros elevados e novas opções no radar

O movimento ocorre em um momento em que a poupança, antes vista como porta de entrada para o mundo dos investimentos, perdeu atratividade para parte dos brasileiros. Especialistas apontam que a taxa básica de juros elevada favorece alternativas de renda fixa, como o Tesouro Direto, além de uma população mais educada financeiramente para identificar oportunidades consideradas seguras no mercado.

Para Rafael Winalda, especialista de renda fixa do Banco Inter, os juros altos reduziram a competitividade da poupança frente a produtos com rentabilidade superior, risco semelhante e liquidez diária.

Ou seja, o investidor percebeu que não há mais prêmio algum em ficar na poupança Rafael Winalda

Alternativas citadas: CDB, crédito privado, CRIs, CRAs e Tesouro Direto

Winalda afirma que a poupança costuma ser um dos primeiros investimentos disponíveis ao brasileiro e que, na hora de migrar, a recomendação tende a priorizar ativos mais seguros.

Entre as opções, ele cita os Certificados de Depósito Bancário (CDB), que contam com proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e podem ser indexados a taxas como CDI, Selic ou inflação.

Depois desse passo, com a formação de uma reserva de emergência, o especialista menciona a possibilidade de olhar para crédito privado.

Ele também explica o funcionamento de títulos como Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), que podem ser atrelados à Selic ou à inflação mais uma taxa prefixada. Esses papéis são descritos como investimentos de longo prazo e isentos de Imposto de Renda, mas não têm cobertura do FGC, o que eleva o risco e, em tese, a recompensa.

Outra alternativa mencionada é o Tesouro Direto, descrito como o investimento mais seguro do país por ser garantido pela União. Entre as modalidades, o texto destaca o Tesouro Selic, com rendimento e liquidez diários. Também há títulos prefixados, com taxa conhecida no momento da aplicação, e o IPCA+, citado como similar aos certificados de recebíveis. Nesse caso, o material ressalta que os títulos do Tesouro não são isentos de Imposto de Renda e seguem tabela regressiva conforme o tempo de investimento.

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