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As empresas de apostas e jogos on-line, conhecidas como bets, recolheram R$ 4,586 bilhões em tributos federais entre janeiro e abril de 2026, segundo dados da Receita Federal. O valor é praticamente o dobro do registrado no mesmo período de 2025, quando a arrecadação da atividade de exploração de jogos de azar e apostas somou R$ 2,303 bilhões.
Apostas já arrecadam quantias altíssimas em tributos
Foto: Câmara dos Deputados
O salto de 99,14% ocorre no segundo ano do mercado regulado no Brasil. Desde 1º de janeiro de 2025, apenas empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda podem operar nacionalmente, e os sites federais autorizados devem usar o domínio “.bet.br”.
Com a alta, o setor passou a aparecer entre as atividades econômicas com maior avanço de arrecadação no país. A Receita Federal informou que, no acumulado de janeiro a abril, as receitas administradas pelo órgão chegaram a R$ 1,010 trilhão, e as apostas responderam por uma fatia ainda pequena do total, mas com crescimento muito acima da média da arrecadação federal.
A Folha de S.Paulo calculou que, considerando a carga tributária incidente sobre o setor, a receita das empresas de apostas chegou a cerca de R$ 12,2 bilhões nos quatro primeiros meses do ano. O jornal também apontou que o volume recolhido pelas bets já se aproxima de segmentos tradicionais, como tabaco e agricultura, que movimentam cerca de R$ 1 bilhão por mês em impostos.
O Ministério da Fazenda mantém uma lista pública de empresas autorizadas a ofertar apostas de quota fixa em âmbito nacional. Cada autorização permite a exploração de até três marcas, e cada marca pode operar um site próprio. Reportagem da Folha informou que o país já soma 187 sites autorizados no mercado regulado.
A expansão também aparece no número de apostadores. Em balanço divulgado pela Secretaria de Prêmios e Apostas, 25,2 milhões de brasileiros fizeram apostas ao longo de 2025 nas empresas autorizadas. No primeiro semestre daquele ano, o governo havia registrado 17,7 milhões de pessoas apostando em sites e aplicativos regulados.
Apesar do avanço das empresas regularizadas, o mercado clandestino segue como um dos principais desafios do governo e do setor. Em janeiro, a Fazenda informou que mais de 25 mil sites ilegais haviam sido bloqueados em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações, além de ações para inviabilizar transações financeiras de operadores não autorizados.
O crescimento das bets também mantém em debate os efeitos sociais e econômicos das apostas on-line. Na Câmara dos Deputados, representantes da Receita Federal e especialistas já discutiram a destinação dos recursos arrecadados, a fiscalização das empresas e possíveis impactos sobre o orçamento das famílias. O próximo passo do setor deve continuar concentrado na fiscalização das plataformas autorizadas e no bloqueio de operadores que atuam fora das regras brasileiras.